Dia de Finados com sol quente e cemitérios lotados

Aline Balbino

Mesmo em meio às lágrimas de saudade em um lugar tido como sombrio por muitos, as cores e o cheiro de flores e rosas tomou conta e transformou um pouco o ambiente triste de cemitérios. Nesta quarta-feira (02), no dia em que se comemora e relembra a morte de parentes e amigos, milhares de pessoas lotaram cemitérios de Niterói e São Gonçalo. Só pelo Maruí, no Barreto, passaram mais de 30 mil pessoas, segundo a administração. Os túmulos mais visitados foram do ex-governador Roberto Silveira e o famoso Menininho, que faz milagre. Paulo Cesar de Souza Medina morreu afogado em uma praia quando tinha apenas oito anos.

Dona Otaci Medina, mãe do menininho, contou que pouco tempo após a morte do filho uma senhora passou por seu túmulo e sentiu afeição pela história do menino. Ela começou a orar e pedir ao menininho que curasse seu filho, que estava doente. Com sua prece atendida, desde então, Paulo Cesar é conhecido como o Menininho que faz milagre. Todo ano, dezenas de pessoas visitam o túmulo do menino levando brinquedos que são doados para orfanatos.

Hoje, a dor de dona Otaci se transformou em alegria, em saber que tantas pessoas creem em seu filho. “São 45 anos vindo aqui recolhendo brinquedos. Já recebemos muitos brinquedos e depois o orfanato vem aqui buscar. A história do meu filho é interessante. Uma senhora passou há anos pelo túmulo dele e sentiu vontade de rezar. Ela pedia pelo filho doente. Ela disse que o filho foi curado e aí meu o Paulo começou a ficar famoso”, disse.

Finados

Mesmo com o calor excessivo, com sensação térmica de 40 graus, muita gente foi ao cemitério rezar por seus parentes mortos. O Padre Marcelo, da Paróquia São Sebastião, explicou a importância de comemorar o Dia de Finados.

“É um dia importante para as pessoas lembrarem e rezarem por seus parente se amigos já falecidos. Nas missas de hoje (ontem) as pessoas colocaram os nomes de seus parentes na oração. Hoje é um dia maravilhoso. Minha única reclamação é com relação à falta de organização no trânsito no estorno do Maruí. Tinham que ter fechado a rua”, disse.

São Gonçalo
O movimento não foi diferente no Cemitério São Gonçalo, no Centro. Muitos fieis aproveitaram para rezar entre uma missa e outra. O seminarista Marcos comentou a motivação da Igreja Católica em relembrar os mortos.

“Temos a certeza na ressurreição de Cristo. A Igreja procura motivar essas pessoas a virem ao cemitério para celebrar os fiéis defuntos. Acreditamos numa vida transformada”, disse.

A professora aposentada Cleuza Maria Reis visitou o túmulo dos pais e avós. Ao relembrar os momentos de alegria, as lágrimas não foram contidas.

“Eu sinto saudade, sabe. Tenho aqui meus pais e avós. Eu separo esse dia para dedicar a eles. Eles são para mim lição de vida, amor, união, família”, disse.

Conscientização contra a dengue
Nos cemitérios, funcionários alertaram visitantes sobre os riscos de água parada em vasinhos de planta. Panfletos informativos foram distribuídos na entrada dos cemitérios.

Vendas de flores divide opiniões de comerciantes
Fugindo de outros anos, Finados foi marcado pelo forte sol e isso trouxe problemas para alguns vendedores de flores. No Cemitério do Maruí, no Barreto, alguns vendedores tiveram que voltar com mais da metade da mercadoria para casa. Já as floriculturas não amargaram prejuízo, porém as vendas também não deslancharam.

Flores

“Trouxe este ano umas cem dúzias de flores, mas estou levando para casa mais da metade das mercadorias. Sou floricultor e há uns quinze anos trago meus produtos aqui para porta do Maruí, mas este ano foi muito ruim, as vendas caíram mais de 50%, mesmo as flores estando muito baratas. Vou pensar muito bem, mas acho que ano que vem eu não volto”, contou Evair Macedo, de 54 anos.
Antes da data, proprietários de floriculturas se dividiam: uns estavam pessimistas e outros tinham esperança de elevar as vendas em 10% na comparação com o ano passado.

“Nós aqui [floricultura] nos preparamos, não compramos tantas flores como em outros Finados. Estávamos com medo que as flores iriam encalhar na loja. As vendas foram bem parecidas com a do ano passado. Não tivemos prejuízo, acredito que quando contabilizarmos teremos um pequeno crescimento”, explicou Marise Moreira Gonçalves, de 72 anos.

Apesar da crise, rosas, palmas, crisântemo e flor monsenhor são as queridinhas da clientela – flores mais compradas neste ano – ornamentaram dezenas de túmulos pelos cemitérios.

Finados com praias lotadas e temperaturas nas alturas
Normalmente o feriado de Dia de Finados é chuvoso e de temperaturas bem baixas. Mas esse ano a chuva deu uma trégua. Com temperaturas beirando os 42 graus, muita gente separou o dia para ir à praia, caminhar, pescar e pular de parapente. As praias de Niterói ficaram lotadas, especialmente a de Icaraí. Com águas cristalinas e limpas, as areias ficaram lotadas, com pessoas buscando um lugar ao sol. Não foi diferente em Boa Viagem, São Francisco e Charitas. Quem tentou visitar as praias da Região Oceânica precisou ter paciência com engarramentos quilométricos, especialmente no Largo da Batalha e em Piratininga.

Com o piscinão de São Gonçalo sem uma gota d’água, muitos gonçalenses procuraram praias de Niterói a fim de se refrescarem nesse calorão. A professora Rachel Costa, de 32 anos, escolheu a Praia da Boa Viagem, que estava uma verdadeira piscina. Muita gente aproveitou o local para tirar fotos e mergulhar.

“Vim para curtir, descansar depois de dias de trabalho. Eu trabalho a semana inteira e mereço uma folguinha. É bom um feriado sem chuva”, disse.

O Campo de São Bento também estava abarrotado de gente. Muitas crianças brincando, gente caminhando, lendo. Ontem foi um dia escolhido por muitos para caminhadas, principalmente na orla das praias e em parques. Com ventos para lá de propícios, muita gente subiu ao Parque da Cidade para pular de parapente.

“Eu acho lindo, venho admirar a paisagem e fico impressionada com a coragem de que pula de parapente. Queria muito, mas tenho medo. Mas curto a paisagem e a natureza. Por isso estou aqui sempre que posso”, afirma Marilena Campos, de 27 anos.

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