Dia das Crianças em meio à pandemia levanta questionamento sobre como comemorar a data

Alan Bittencourt

Nesta segunda-feira, dia 12, comemora-se o Dia das Crianças. Porém, devido à pandemia provocada pelo coronavírus, esta data será atípica. Afinal, a pandemia ainda não passou e medidas de segurança continuam na pauta do dia. Porém, com parques e restaurantes liberados, a probabilidade de aglomeração é muito grande. A questão primordial é: é seguro levar as crianças para locais que certamente estarão cheios nessa data?

Para Sylvia Abrunhoza, 50 anos, educadora há 30 na rede privada de ensino, não é seguro ainda levar as crianças para onde se formará aglomeração. Para ela, é preciso que os pais entendam que teremos que entender o novo normal e buscar alternativas para distrair os filhos.

“Nada será como antes. Como estamos nos ‘reinventando’ neste isolamento, há várias formas de comemorar a data, estreitando os laços familiares com brincadeiras em casa mesmo. Menos telas, mais presença. Coisas que eram difíceis antes, devido à rotina de trabalho”, explica.

Para a professora, o principal é os pais estarem presentes com seus filhos, usando a criatividade.

“Vejo isso com meus alunos. Os pais presentes, ajudando, fazendo descobertas diárias. Afinal, estão em casa, juntos. Grande parte dos pais e responsáveis migrou para o home office, o que aumentou essa integração entre pais e filhos”, disse.

Apesar de defender uma maior interação entre adultos e crianças, Sylvia acredita que a tecnologia pode ser uma aliada, tanto no ensino como no lazer.

“Sim, a tecnologia já está sendo muito útil. O ensino agora é online. Pode ser divertido. Com bastante ludicidade. Basta estar aberto para essa mudança. Acredito que podemos usar esta situação a nosso favor. Daqui para frente, cada vez mais o ensino híbrido estará em nossas vidas. O presencial não será substituído, mas a tecnologia usada como mais um recurso pedagógico. O mesmo vale para o lazer”, declarou.

É notório que essa questão de não ter aula e não sair de casa alterou o comportamento das crianças. Como mãe de dois meninos – um adolescente de 16 anos, Pedro, e outro de 9, Miguel -, Sylvia sabe que essa situação alterou o comportamento de muitas crianças e adolescentes.

“Afetou muito. Estão privados da liberdade, do ir, vir, correr. Gera uma ansiedade, irritabilidade. Ainda há os conflitos de estarmos todos no mesmo ambiente. Aproveito este momento para estreitar os laços, para conversarmos, brincarmos. Invento muita coisa e fazemos muitas coisas juntos!”, afirmou.

Assim como já acontece nos fins de semana, quando parques, e shoppings ficam lotados, no Dia das Crianças deverão se repetir as cenas de aglomeração. Para a educadora, cada escolhe como quer levar a vida.

“Bom, cada um sabe de si e elege suas prioridades. A minha é a vida. Meus filhos não são expostos. Quem ama, cuida. O que é um ano para quem tem a vida toda pela frente?”, indaga Sylvia Abrunhoza.

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