Desvio de vacina: Polícia quer ouvir diretor de posto

Vítor d’Avila

Prossegue a investigação sobre o desvio de uma dose de vacina contra a Covid-19 no Posto de Atendimento Médico (PAM) de Neves, em São Gonçalo, praticado por uma funcionária pública. A Polícia Civil, até o final da semana, pretende colher depoimentos de pessoas que trabalham com a técnica de enfermagem Luciana Soares dos Santos, flagrada na terça-feira (13), enquanto transportava um frasco contento o imunizante.

De acordo com o delegado Leonardo Macharet, titular da 73ª DP (Neves), responsável pela investigação, o diretor do posto médico foi intimado a prestar esclarecimentos. Cabe ressaltar, que a supervisora de Luciana havia sido intimada a depor na distrital, na quarta-feira (14), mas não compareceu, sem apresentar justificativa.

Policiais civis da distrital deverão ir à casa da profissional a fim de convencê-la a prestar os esclarecimentos necessários, em relação ao caso. Vale lembrar que, aos policiais, Luciana afirmou que a supervisora havia concedido autorização para que pudesse levar para casa o que seriam “restos” de doses da CoronaVac, para que fossem aplicadas em seu esposo.

O delegado, nesta quinta-feira (15), reiterou que a intenção da equipe de investigação, com os depoimentos, é apurar se houve furto de outras doses do imunizante, bem como eventual participação de outros funcionários da unidade. Cabe ressaltar que, segundo o delegado, a técnica responderá pelo crime de peculato, já que é funcionária pública concursada pela Prefeitura de São Gonçalo.

“Qualquer pessoa que esteja associada a ela na prática também responderá pelo crime de peculato, já que são funcionários públicos. No caso da técnica de enfermagem, ela era funcionária pública concursada, e também responderá a procedimento administrativo para ser desvinculada da saúde municipal. Vamos realizar uma série de oitivas para que possamos desdobrar essa investigação”, explicou o delegado, na ocasião da abertura da investigação.

Na quarta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde havia afirmado que “vai apurar o caso, e ressalta que a aplicação do imunizante representa um risco ao paciente que recebê-la, por conta do transporte e do armazenamento inadequados”. Além disso, a Prefeitura da cidade informou que “determinou o imediato afastamento das profissionais envolvidas no incidente até a elucidação dos fatos.

A Secretaria de Saúde vai abrir sindicância para apurar a conduta das servidoras, a profissional flagrada e sua supervisora, que poderão ser exoneradas. A Secretaria de Saúde esclarece que todos os procedimentos para controle das doses são adotados nos postos de vacinação, com numeração e contagem dos frascos no início e término dos trabalhos, para que não haja riscos de furtos”.

Já o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ) afirmou que “já está apurando junto à Secretaria de Saúde de São Gonçalo sobre o ocorrido. O Conselho irá ouvir a enfermeira responsável técnica e coordenadora da vacinação no PAM Neves, e também a referida técnica, a fim de verificar o caso. O Conselho realiza ato fiscalizatório, juntamente com os conselheiros que atuam no município de São Gonçalo, e procederá com os encaminhamentos ao Departamento de Ética do Coren-RJ”.

Recordando

Luciana Soares dos Santos, que trabalha no Porto de Atendimento Médico (PAM) de Neves, em São Gonçalo, foi detida enquanto estava com uma dose de imunizante contra a Covid-19, acondicionado em uma garrafa plástica com gelo. Ela foi surpreendida ao ser abordada por policiais do programa São Gonçalo Presente, após sair do posto de Saúde, quando seguia para sua residência, numa motocicleta, na noite de terça-feira (13).

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