Despoluição da Baía de Guanabara 25 anos depois do programa ainda é um desafio

O Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) completou ontem 25 anos desde seu início, quando foi financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e infelizmente até hoje as obras não foram concluídas e estão inacabadas. O ambientalista Sérgio Ricardo do Baía Viva, lembrou que durante esse tempo houve superfaturamento das obras, desperdício de dinheiro público, falta de planejamento e corrupção, em diversos governos.

“E, até hoje os grandes Troncos Coletores de esgotos que ligariam as residências às Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) não foram implantadas. O resultado é que as águas da Baía de Guanabara continua recebendo 18 mil litros de esgotos por segundos”, lamentou o ambientalista.

Ele disse que, além de impactos ambientais e à saúde coletiva, como proliferação de doenças de veiculação hídrica, a intensa poluição tem provocado perdas economicas expressivas no Rio de Janeiro.

“Temos uma economia do mar ou economia azul, segundo a ONU. O Estudo do Baía Viva intitulado ‘A Crise das Águas no Rio de Janeiro’ (2019) comprovou que, em contraponto ao sacrifício ambiental das baías de Guanabara e Sepetiba, a retomada dos investimentos em saneamento básico e no saneamento ambiental poderia injetar R$ 30 bilhões na economia fluminense gerando empregos e desenvolvimento regional”, disse Sérgio Ricardo.

O ambientalista lembra da obra de R$ 40 milhões realizada para colaborar com a limpeza da Baía de Guanabara prometida para a Olimpíada de 2016, mas que também não reduziu em nada a quantidade de esgoto puro despejada diariamente nas águas do local das competições olímpicas de vela.

“O Governo extinguiu o PDBG e criou o PSAM, que é o Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara e prometeu abrir novas frentes de obras, mas houve o decreto de falência e as obras foram paralisadas e estão até hoje incompletas”, lamentou Sérgio Ricardo.

A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) disse que por meio do PSAM contribui para aumentar a cobertura de coleta e tratamento de esgoto em cidades do entorno da Baía. Segundo o órgão, o programa está em plena execução e no momento estão em andamento obras em Alcântara, no município de São Gonçalo.

“Como resultado, a estimativa é de que 1,2 mil litros de esgoto por segundo in natura deixarão de seguir para a Baía de Guanabara, o que representa cerca de 41 piscinas olímpicas por dia que receberão tratamento. O escopo contempla a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE); de um tronco coletor; implantação de rede coletora e elevatórias, além das ligações domiciliares das residências no entorno da obra. Em relação ao segundo trecho do Coletor Tronco Cidade Nova, na região central do Rio de Janeiro, vai ser inaugurada a segunda fase em abril deste ano. Ainda neste semestre, o Coletor Tronco vai recolher mais de 350 litros por segundo de esgoto, que seriam lançados in natura na Baía de Guanabara”, disse a Seas.

A Secretaria disse que os benefícios do PSAM já chegaram no ano passado com a entrega do trecho 1 do Tronco Coletor Cidade Nova.

“Os 3,8 quilômetros do coletor estão em operação e redirecionam cerca de 350 litros de esgoto por segundo para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, que anteriormente eram lançados no Canal do Mangue. A quantidade equivale a 12 piscinas olímpicas por dia de esgoto tratado. O Tronco Coletor Cidade Nova atende 163 mil habitantes locais e beneficia seis bairros do centro da cidade: Cidade Nova, Centro, Catumbi, Rio Comprido, Estácio e Santa Teresa”, afirmou no texto.

O órgão ambiental ressaltou que o investimento, em 2019, foi de R$ 106 milhões nas obras do PSAM.

“O montante significa uma marca histórica para o estado: um aumento de aproximadamente 80% dos recursos destinados às obras do PSAM, comparado ao aporte realizado em 2018. Os recursos são oriundos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam)”, concluiu a Seas.

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