“Desgastado, Comte tenta descolar imagem do MDB”, diz cientista político de Niterói

Wellington Serrano –

Uma manipulação que pode romper os elos da aliança DEM, PTB, PHS, PPS, PV, PMN, DC, PSDB, Solidariedade, Avante, MDB e PP balança a chapa Paes e Comte como futuros candidatos ao Governo do Estado. Assim é definida por especialistas políticos a coligação do “centrão” no Rio de Janeiro que tentar sobreviver na política, mas que também não dará em nada pelo fato dos candidatos terem “telhado de vidro”.

Segundo o cientista político Márcio Malta, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), o grupo começou mal em ter nos cabeças de chapas a desconfiança da população.

“Ele (Comte) já está com a imagem desgastada na educação pela ação dúbia que causou quando aceitou ser o vice-prefeito de Rodrigo Neves e ao mesmo tempo não assumir o município quando foi preciso e preferir continuar na Alerj. Com a reeleição do deputado Waldeck Carneiro (PT) e o lançamento da candidatura também a estadual do jovem Marcos Marins (PP), que é um candidato natural da UFF, ele (Comte) perdeu mais espaço na educação a ponto de não conseguir se reeleger se fosse o caso”, disse o Malta.

O especialista conta que Comte já vem num curva descendente de sua trajetória política. E que poderia ter encerrado a carreira de maneira mais digna.

“Tenho a hipótese que o Paes foi enganado pela conversa de muitos votos, coisa que não acontecerá. No entanto, a liderança de Paes, mesmo com tudo que ele fez no Rio, está ameaçada pelo continuísmo e o fato de que era afilhado político de Cabral, o que acabará com os últimos momentos da carreira do deputado niteroiense”, realçou Malta.

Segundo ele, Comte perdeu espaço no interior e não tem propostas para os problemas pontuais das cidades. “O candidato a governador, apesar de conhecer também o interior, se deixou influenciar”, ressaltou.

Em seu último discurso na Assembleia, Comte destacou sua atuação em Niterói e Friburgo ao criticar os governos anteriores.
“Depois do prefeito Pereira Passos que foi prefeito do Rio, só o nome de Paes está marcado”, disse ele ao depreciar os governos anteriores, que por acaso fez parte junto com Cabral e Pezão.

Comte ainda frisou que “todos passam profundas dificuldades porque foram entregues a um ciclo de governança que lamentavelmente não respondeu a sua obrigação frente aos cidadãos”, afirmou o deputado sobre seus antigos pares.

Entre vários eleitores em cidades lideradas pelo governo do PPS muitos reclamam. “Ele vendeu para Paes e o André Corrêa que tinha nas mãos os municípios de Campos, São Gonçalo e Mangaratiba coisa que não é verdade. Ele não sabe nem administrar as crises internas do PPS como a do prefeito gonçalense José Luiz Nancy que vira e mexe pede consultas para saber lidar com os deslizes de seu governo”, disse o morador gonçalense Willian Alves.

O vereador Leonardo Giordano (PCdoB), disse que o discurso teve um grave equívoco. “Se ele condena os governos anteriores não deveria apoiar o Eduardo Paes que é o príncipe herdeiro do governo Cabral. Tudo que a gente vive no estado atualmente é herança do eixo Pezão, Cabral e Paes, que é a continuidade deste governo”, lamentou.

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