Desemprego se mantém alto no Rio de Janeiro

Pedro Conforte –

Uma cena que se repetiu ao longo de 2018 foram as filas quilométricas com pessoas tentando uma vaga de emprego e ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o Rio de Janeiro foi um dos poucos estados do país que tiveram aumento no desemprego. O número passou de 14,9% em 2017 para 15% em 2018 e se levar em conta desde 2014, quando a crise atingiu o Brasil, o desemprego teve um aumento ainda maior: o salto foi de 138%, passando de 6,3% para os atuais 15%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados nesta sexta-feira.

No Sudeste, apenas o Rio de Janeiro não teve queda nas taxas de desemprego: em São Paulo teve ligeira retração, de 0,1%, em Minas Gerais o percentual passou de 12,2% para 10,7% e no Espírito Santo, de 13,1% para 11,5%.

A cidade de São Gonçalo concentra mais de um milhão de habitantes e o Posto do Sine, no Centro, recebe dezenas de pessoas por dia, principalmente na manhã de segunda-feira, quando a fila pode ser vista dando volta no shopping onde o posto se encontra. Rafael Rodrigues, de 36 anos, procura um emprego há dois anos, desde que foi demitido da oficina onde trabalhava.

“Eu tenho uma filha e não posso ficar sem trabalhar. Então até conseguir um emprego de carteira assinada eu vivo de bicos, mas isso não é vida. Eu venho aqui no Sine para tentar uma vaga na área que eu trabalho, que é no reparo de automóveis”, contou Rafael.

Na pesquisa, o IBGE destrinchou também o desemprego por idade, que em 2018 segue entre os jovens. Quase 35% das pessoas entre 25 e 29 anos estavam desempregados. Os jovens de 18 a 24 anos representavam 32,4%, os menores de idade 8% e os idosos 2,6%.

“Eu completei 20 anos em janeiro e desde que terminei meu estágio, não consigo um emprego. Ainda consigo alguma ajuda dos meus pais, mas acho que o sonho de todos é ter independência, mas está complicado. A maioria das vagas pede experiência, mas como vou ter experiência se eu procuro o primeiro emprego”, questionou Ana Caroline Ribeiro.

O volume dos desocupados no Brasil no início de 2012 era de 7,6 milhões de pessoas, quando os pardos representavam 48,9% dessa população, seguidos dos brancos (40,2%) e dos pretos (10,2%). No 4º trimestre de 2018, esse contingente subiu para 12,2 milhões de pessoas e a participação dos pardos passou a ser de 51,7%; a dos brancos reduziu para 34,6% e dos pretos subiu para 12,9%.
No final do ano de 2018, os pardos representavam 47,4% da população fora da força de trabalho, seguidos pelos brancos (42,5%) e pelos pretos (9,0%).

Doze capitais brasileiras tiveram uma taxa de desemprego recorde na média de 2018, desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) começou a fazer o levantamento em 2012. Uma delas é o Rio de Janeiro, que atingiu o número de 12,6%. Macapá (18,2%), foi a capital com o maior nível de desemprego entre todas as 27 capitais.

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