Desempregados chegam a 14 milhões

Geovanne Mendes

Um dos fatores mais importantes para o cidadão e para muitos o fundamental, o emprego garantido por carteira assinada, está cada vez mais distante dos brasileiros. Pelo menos é isso o que afirma, e assusta ao mesmo tempo, uma pesquisa divulgada ontem, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Pnad Contínua.

Segundo os dados, a taxa de desocupação no país foi estimada em 13,6% no trimestre móvel encerrado em abril, ficando 1 ponto percentual acima da taxa do trimestre anterior (novembro a janeiro), quando havia fechado em 12,6%.

Com a alta do último trimestre, a população desocupada em abril chegou a 14 milhões, uma alta de 8,7% em relação ao trimestre encerrado em janeiro. Assim, houve um acréscimo de 1,1 milhão de pessoas no número de desempregados.

Desempregada desde fevereiro do ano passado, quando foi demitida da lotérica onde trabalhava no Centro de Niterói, Cíntia Oliveira, de 28 anos, moradora do Barreto, diz que não tem sido fácil a vida de desempregada, segundo ela, mesmo distribuindo currículos pessoalmente ou através de sites na internet, o interesse dos empregadores sempre esbarra na crise econômica vivida no país, impedindo contratações.

“Desde que eu deixei a casa lotérica venho procurando emprego e não encontro. As pessoas sempre usam a crise como forma de dizer que não querem ou não podem empregar. Enquanto isso, as dívidas acumulam. A minha sorte é que ainda vivo na casa dos meus pais, mesmo assim a vida da gente vira um tormento”, comentou.

Para o economista e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ivando Silva de Faria, o maior problema enfrentado pelas pessoas que hoje estão desempregadas é a falta de um planejamento no passado. Poupar ainda é o melhor negócio e evitar compras no cartão de crédito e empréstimos pessoais facilitam ainda mais a vida financeira neste período.

“A maior ameaça às finanças pessoais é sucumbir às compras desnecessárias. O autoconhecimento ajuda a evitar gastos desnecessários, colabora no autocontrole. Estas atitudes não resolvem o problema do cidadão em desemprego, mas se adotadas no passado poderiam ter contribuído para a geração de uma poupança que seria extremamente útil na hora do desemprego. Os empréstimos são, na maioria dos casos, desaconselháveis, entretanto, na condição de desemprego tornam-se inevitáveis. Devemos agir sempre com prevenção, poupando, e não remediando, com empréstimos, que são especialmente caros no Brasil”, comenta o economista.

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