Desapropriação da Marquês do Paraná promete ser longa

Wellington Serrano

Ao dar início na última sexta-feira ao processo de desapropriação de 35 imóveis para o alargamento da Avenida Marquês do Paraná, no Centro, a Prefeitura de Niterói pode ter dores de cabeça com proprietários dos imóveis, que souberam da notícia nesta sexta-feira e pretendem não ceder facilmente às propostas do poder público.

Evandro Crespo inaugurou um restaurante no número 286 da via há cerca de um mês e investiu cerca de R$ 100 mil no estabelecimento. Surpreso com a publicação do decreto, ele teme a derrubada do seu imóvel. “Acabei de inaugurar o meu restaurante e agora terei que procurar um advogado para brigar na justiça pelo prejuízo”, afirma o empresário.

Funcionários temem pelo desemprego. “Se os imóveis forem vendidos ou desapropriados, as lojas vão fechar, e a gente vai perder o emprego”, afirma Maria Roberta da Silva, atendente em uma loja na rua.

A Prefeitura afirma que fará a obra na via que, no sentido Icaraí, ganhará mais uma faixa de rolamento e ciclovia no trecho entre as ruas Doutor Celestino e Miguel de Frias. O projeto inclui a reurbanização da via até a Avenida Amaral Peixoto, com uma nova praça sobre o mergulhão Ângela Fernandes.

O alargamento da Avenida Marquês do Paraná pode por fim ao gargalo formado no fim da Rua Doutor Celestino, um dos principais eixos para os veículos que seguem do Centro para a Zona Sul.

A obra será a primeira realizada com recursos obtidos através do modelo de outorga onerosa, que financiará ações do processo de requalificação do Centro. Serão utilizados R$ 11,8 milhões, dos R$ 14 milhões já pagos por investidores que tiveram seus projetos aprovados para a região central da cidade.

“Essa é uma obra que trará benefícios em diferentes vertentes. A urbanização daquela área é de extrema importância para a requalificação do Centro. Será uma nova avenida, totalmente urbanizada, com nova praça e com a ciclovia que ligará o Centro a Icaraí, antiga reivindicação dos ciclistas da cidade. Além disso, a obra eliminará aquele gargalo que hoje faz milhares de trabalhadores perderem tempo na volta pra casa”, ressalta o secretário municipal de Urbanismo, Renato Barandier.

Ainda não há data prevista para o início das obras, que começarão apenas após o término da construção do mergulhão da Praça Renascença, previsto para setembro.

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