Deputados falam sobre a saída de Moro do Ministério da Justiça: “Fomos pegos de surpresa”, diz Jordy

Após o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, ter anunciado a própria demissão nesta sexta-feira (24), devido ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter exonerado o seu chefe da Polícia Federal, Maurício Valeixo, A TRIBUNA procurou os políticos para saber o que eles tem a dizer sobre a saída do ex-juiz da Lava Jato.

Nona mudança governo, a saída de Moro foi comentada pelo deputado estadual Flávio Serafini (Psol) como muito grave.

“A interferência de Bolsonaro na política, justamente num momento em que seus filhos são investigados, parece que o presidente passa por cima da democracia para fazer valer os seus interesses. O presidente é de uma família autoritária e criminosa e merece um pedido de impeachment”, lamentou Serafini.

O deputado federal, Carlos Jordy (sem partido), que chegou a cravar a permanência de Moro no cargo, lamentou a decisão.

“Moro saiu, fomos pego de surpresa. ele nos garantiu que não sairia. Para nós base do Governo, uma informação; para a extrema imprensa outra”, atacou o deputado niteroiense.Para ele, assim como todos os bolsonaristas, é lamentável o pedido de demissão, mas o voto foi dado a Bolsonaro“.

“Vamos aguardar a resposta do presidente. Momentos difíceis todos já passamos e passaremos muitos outros ainda. A política é cheia de surpresas, mas é lamentável quando alguém que admiramos posso gerar um fato político negativo dessa natureza, seja por vaidade pessoal ou ambição, e dar munição para os inimigos”, declarou o deputado.

O deputado federal Chico D’Ângelo (PDT), avaliou a situação como muito grave:

“O país vivendo uma crise na saúde e o presidente no mesmo momento cometendo crimes que foram denunciados não só pelo ex-ministro Moro, mas por juristas e advogados. Ele protege os filhos e a ele próprio ao impedir as investigações federais contra as milicias digitais, gabinete do ódio e as fake news produzidas. Se revelou corrupto e há 28 anos atuando no baixíssimo clero da Câmara apesar do ser inexpressivo, ninguém imaginava isso. Agora se mostra um presidente com um grave desvio de conduta e vai ter que encarar mais de 20 pedidos de impeachment na Casa e isso vai acabar mal”

Já o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT) disse pelo Twitter que já esperava a saída de Moro.

“Sem surpresa. Mas, agora é oficial: e a fala do ministro da Justiça causa estupor quando admite ter pedido pensão para sua família caso lhe acontecesse algo”, disse o deputado petista.

Segundo Waldeck, Moro revelou o que muitos já sabiam, o que já estava evidente. “Tem as investigações sobre seu filho, que hoje é senador, o caso Queiroz, a investigação sobre os mandantes da execução de Marielle, o gabinete do ódio em que seu filho, vereador no Rio, está envolvido, objeto da CPI das Fake News”, ressaltou.

Para o deputado Marcelo Freixo (Psol) são muitos os crimes da família Bolsonaro.

“Milícia, defesa do AI-5, laranjal. Moro nunca ligou. Tolerou a corrupção e humilhações em nome de seu projeto pessoal de poder. Agora ele sairá do governo em nome de suas ambições políticas, não por um arroubo ético, que nunca teve”, afirmou Freixo.

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que na declaração feita, Moro faltou pedir desculpas ao povo brasileiro pelas mentiras que contou sobre Lula.

“Se o sr. Moro tivesse 10% da sinceridade que tentou transmitir na entrevista-delação contra Bolsonaro, seu ex-chefe, teria aproveitado e pedido desculpas ao povo brasileiro por todas as mentiras que contou sobre Lula”, escreveu a petista.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) publicou uma crítica e pressionou Jair Bolsonaro.

“Ou Bolsonaro renuncia ou será renunciado. É hora de falar. Presidente está cavando sua fossa. Que renuncie antes de ser renunciado. Poupe-nos de, além do coronavírus, termos um longo processo de impeachment. Que assuma logo o vice para voltarmos ao foco: a saúde e o emprego. Menos instabilidade, mais ação pelo Brasil”, escreveu o tucano.

O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse que o Brasil está “está atravessando a maior crise da sua história” e pediu equilíbrio e responsabilidade. Para Temer, a crise está sendo maior porque inclui, além dos problemas sanitários com a Covid-19, a estagnação da economia. Ele afirmou que é necessário ter “união, solidariedade e muita energia” para enfrentar a pandemia.

O senador e ex-presidente Fernando Collor disse que Moro fez revelações gravíssimas, que deixam o governo numa posição constrangedora e vulnerável.

“O quadro institucional é nebuloso”, declarou pelas redes sociais.

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