Deputado Waldeck Carneiro faz balanço do mandato

Wellington Serrano

O Jornal A TRIBUNA entrevistou com exclusividade o deputado Estadual, Waldeck Carneiro (PT), que falou sobre a crise financeira do estado, apresentou soluções e enfatizou o início da convulsão social que se encontra o governo. Sobre Niterói, falou sobre a inauguração do túnel, mobilidade e arriscou um palpite sobre a corrida rumo ao Governo do Estado. Na ocasião, falou sobre seus projetos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e confirmou que, apesar de estar vivendo o mandato intensamente, será candidato à reeleição.

ALERJ — Waldeck disse que sua experiência adquirida na Câmara de Niterói está sendo importante na Alerj. “Tive três mandatos em Niterói, em 2005, quando me licenciei para ser secretário do Godofredo, em 2008, quando voltei e exerci todo mandato sendo oposição ao então prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT), com 16 vereadores da base que me consultavam quando era presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), isto é, o pessoal tinha consideração e respeito. E na legislatura seguinte, em 2013, também atuei pouco como vereador porque saí para ser secretário do governo do prefeito Rodrigo Neves. Dos dez anos que atuei como vereador fiquei cinco anos no legislativo e cinco anos licenciado atuando e ajudando o Executivo”, explicou.

ELEIÇÕES 2018 — Ao ser perguntado se o prefeito Rodrigo Neves, que é seu amigo pessoal, vai vir como candidato a governador, Waldeck disse que não tem resposta sobre isso ainda, mas arriscou um palpite. “Acho que não deve”, disse. Segundo o deputado, o prefeito deve completar o ciclo dele à frente da gestão da cidade.

“Se ele (RN) completar esse ciclo em Niterói será um dos melhores prefeitos do Brasil, se não da Região Sudeste pelo menos. Ele é muito jovem e um gestor que gosta de empreender e se enfrentar o Governo do Estado vai passar a gestão fazendo ajustes fiscais e apertando o cinto porque não há o que fazer. Pessoalmente acho que Rodrigo deve exercer o peso e influência política dele que tem crescido no processo sucessório do ano que vem, pois não ser candidato não significa não interferir no processo. Acho que ele pode ser um dos grandes eleitores do estado no ano de 2018, sobretudo aqui nesse eixo do Leste Fluminense, na área do Comperj, onde é hoje a principal referência política”, afirmou.

INAUGURAÇÃO DO TÚNEL — Waldeck disse que do ponto de vista de um marco com a intervenção urbana da cidade o túnel é uma obra marcante. “Não resta dúvida, uma obra realizada dentro de um cronograma rápido pela sua dimensão que veio de encontro com os debates, projeções e as promessas sobre esse túnel em décadas acho que foi um feito importante evidentemente que será necessário que o governo siga fazendo para completar o conjunto de intervenções na TransOceânica”, realçou.

Segundo Waldeck, se for implantado no futuro de fato uma linha de ônibus do tipo BHS que sirva aos bairros da Região Oceânica e que funcione com horários regulares a custo baixo e se além disso, se conseguir reconceituar a estação de Charitas com intervalos de tempo de 6h às 10h da manhã e de 16h às 20h, com uma linha social, será perfeito”, ressaltou.

SISTEMA AGUAVIÁRIO — Waldeck explicou que a CCR Barcas, que herdou a concessão da Auto Viação 1001 (numa manobra de transferência do Governo do Estado), está querendo ir embora. “Mas não pode ir sair sem que tenha outra licitação. A justiça deu até dois anos e o problema desta nova licitação é que uma série de gargalos precisam ser resolvidos antes de soltar o novo edital. O gargalo de Charitas é um e outro que nos interessa muito é a Estação do Gradim, em São Gonçalo, que vai aliviar a Doutor March, a Alameda e a Contorno, além das principais artérias da Zona Norte”, disse o deputado.

CRISE FINANCERIA DO ESTADO —
Segundo o parlamentar, o Estado do Rio de Janeiro precisa construir alternativas de receitas novas. “Esse é o nosso maior problema diante de uma crise que também é moral, ética e de gestão”, lamentou. Waldeck deu algumas pistas de como amenizar a situação e explicou que para isso é preciso fazer a regulamentação das compensações da Lei Kandir, que fez o Estado do Rio de Janeiro e seus municípios deixarem de arrecadar R$ 49,2 bilhões, entre 1997 e 2015.

Waldeck Carneiro disse que o Rio de Janeiro deve R$ 73 milhões em dívidas a União e deu a ideia de se fazer um encontro de contas. “O Estado paga juros da dívida de R$ 73 milhões, com esse encontro de contas, vai pagar apenas juros em cima só de R$ 24 milhões”, sugeriu o petista. Ele contou que outra solução é cair em cima da questão do ICMS do petróleo que o Estado de São Paulo não deixa resolver.

“Esse é o único setor da economia em que recolhe o ICMS no destino. Nós somos o maior produtor do óleo 80% da produção está aqui no Rio de Janeiro. O ICMS devia ser recolhido no consumo e não na produção”, apontou o deputado, que criticou a forma de cálculo dos royalties e das participações especiais sobre petróleo e gás explorados aqui no Rio de Janeiro.

“Estive na Agência Nacional de Petróleo (ANP) com um grupo de deputados para discutir a fórmula de cálculos. Isso representaria R$ 2 bilhões por ano, mas o estado não cobra nem a sua dívida ativa que hoje está em R$ 69 milhões de reais”, lamentou o deputado que enfatizou a farra das isenções ficais. Waldeck disse que, com tantos problemas, o Estado vive um início da convulsão social.

“Não paga o servidor, os serviços públicos paralisados, as universidades estaduais em estado de inadmissão, com um governador que a qualquer momento pode ser cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TER-RJ) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) com seis dos seus sete membros fora de combate”, concluiu o parlamentar.

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