Deputado Flavio Serafini entra na luta pela Baía

Wellington Serrano
Aline Balbino

Depois do alerta que A Tribuna fez em relação ao risco do sumiço de peixes na Baía de Guanabara na edição da última quarta-feira (25) o deputado estadual Flavio Serafini, que foi candidato a prefeito de Niterói pelo PSOL, esteve nesta quinta-feira (26) na redação de A Tribuna onde falou sobre o relatório de 250 páginas que possui sobre o ecossistema na região.

Ele que é presidente da comissão especial da Baía de Guanabara disse que tenta atualizar uma leitura sobre o conjunto dos fatores que hoje contribuem para que a Baía de Guanabara continue extremamente poluída. “Elaboramos propostas para superar essa situação através do enfoque centrado na questão do saneamento que continua sendo um grave problema no estado do Rio de Janeiro”, disse o parlamentar.

Flavio Serafini destaca que mesmo 17 anos completados de um dos vazamentos que ocasionou um dos mais graves acidentes ambientais do Brasil na Baía de Guanabara pouco se debate a questão da presença da indústria do petróleo no local. “Essa é a questão central para entendermos tanto o quadro de degradação quanto de saturação que está em curso hoje na Baía de Guanabara que se transformou num pátio industrial da cadeia do petróleo”, alerta Serafini.

Segundo ele, dois terços do espelho d’água da Baía de Guanabara hoje não podem ser usados com lazer e com pesca porque são tomados por estruturas relacionadas com a indústria do petróleo ou a sua cadeia. “Quem passa na ponte Rio-Niterói vê, por exemplo, 80 navios constantemente estacionados na Baía de Guanabara e que servem de suporte para a indústria do petróleo e isso tem impactos e nada muda”, ressaltou o psolista.

Acompanhamentos do deputado constatam que aumentou muito a presença da indústria do petróleo na Baía de Guanabara e foi instalada numa área que é de antiga reprodução de golfinhos. “Não houve nenhum estudo de impacto ambiental e os resultados disso são que os botos cinzas, que são espécies que vivem na baía, estão oprimidos e estão quase sendo extintos”, enfatiza.

Isso acontece, segundo Serafini, porque a baía está ficando saturada devido à contaminação, a poluição e a presença crescente da indústria do petróleo. “Por exemplo, a estação de gás instalada em cima do local onde os botos estão reproduzindo teve um impacto na reprodução destes botos. Outro exemplo é a quantidade de navios estacionados e permanentemente ligados que gera uma serie de efeitos desde a poluição de água contaminada até a sonora que repercute na audição e na saúde dos golfinhos”, alerta Serafini.

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