Deputado de Niterói é indiciado na CPI da Covid

Conhecido nome da política niteroiense, o deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) teve o nome citado no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que investiga as ações do Governo Federal de enfrentamento à pandemia. Ele é um dos indiciados no documento foi apresentado na quarta-feira (20) pelo relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), com mais 1,1 mil páginas, divididas em 16 capítulos e 29 tipos penais apontados.

O documento se baseia em 13 postagens feitas no Twitter entre 8 de abril de 2020 (primeira) a 24 de março deste ano. Nas publicações, Jordy faz a defesa da cloroquina como método para o tratamento da doença, afirma ser favorável ao chamado “tratamento precoce”, criticou a obrigatoriedade da “vacina chinesa”, chamou o governador paulista João Dória de “Ditadória”, afirmou que os ministros do Supremo Tribunal Federal praticavam o “totalitarismo da junta da toga” e o compartilhamento de vídeos onde noticiava um único caso de reação alérgica à Pfizer, além de outro vídeo da médica Nise Yamaguchi, integrante do chamado “Gabinete paralelo”, com discurso pró-cloroquina.

Por estas razões, o relatório indiciou Jordy com base no artigo 286 do Código Penal, que trata da prática de incitação ao crime. Em postagem feita em seu perfil no Twitter, o niteroiense criticou o relatório final e voltou provocar o STF e o governador paulista João Dória.

“Li o relatório da CPI e vi as razões por ter sido indiciado por incitação ao crime: chamar coronavac de ‘vachina’, criticar ações do STF, chamar Doria de ‘ditadoria’, ser favorável ao tratamento precoce e contra a obrigatoriedade da vacina. Circo tem malabarismo, mas esse é muito amador”, afirmou Jordy.

O texto deve ser encaminhado ao procurador Geral da República, que detém competência para atuar junto ao Supremo Tribunal Federal, e ao Departamento de Polícia Federal, a respeito das práticas consideradas criminosas pelo relatório final.

Além de Jordy, outros deputados federais indiciados foram Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, Osmar Terra (MDB-RS), Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF). além dos três filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) e o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos).

Outros nomes da lista são o do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de quatro ministros: Marcelo Queiroga (Saúde), Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e Walter Braga Netto (Defesa). Constam ainda, entre as sugestões de indiciamento, os ex-ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Eduardo Pazuello (Saúde).

Também figuram no rol de pedidos de indiciamentos Luciano Hang, Otávio Fakhoury, Carlos Wizard, além da médica Nise Yamaguchi e do virologista Paolo Zanotto, todos nomes apontados como sendo de integrantes de um gabinete paralelo de aconselhamento do presidente na pandemia.

O texto, que será votado pelo colegiado na próxima terça-feira (26), pede o indiciamento de 66 pessoas e de duas empresas. Uma delas é a Precisa Medicamentos, que intermediou a negociação de um contrato que acabou cancelado pelo Ministério da Saúde para a aquisição de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin. A outra é a VTClog, contratada pelo Ministério da Saúde para cuidar da logística da distribuição de vacinas e insumos contra a covid-19, que também é suspeita de irregularidades.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 − dois =