Depois da festa, Viradouro já pensa no enredo para a disputa em 2021

A Unidos do Viradouro se consagrou como a grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro na última quarta-feira (26), e os trabalhos não param na agremiação. Amanhã, sábado, será dia de voltar para a avenida no desfile das campeãs e, apesar da direção da escola não ter se pronunciado sobre a ficha técnica para o carnaval 2021, a dupla de carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon já manifestou interesse em continuar na vermelha e branco de Niterói. E o enredo já está sendo pensado: continuidade de valorizar a cultura das raízes brasileiras.

O segredo da vitória está aliado a vários fatores: o amor da comunidade pela agremiação, dedicação ao trabalho e muito estudo da jovem dupla de carnavalescos que trabalhou junta pela primeira vez.

“A minha ficha ainda não caiu e tudo para a gente está sendo muito novo. Tudo na vida tem poder de transformação e renovação e viemos de uma geração junto com outros profissionais que tiveram trabalho crescendo nas escolas. Conseguimos estar nesse grupo especial e acredito que é pela vontade de fazer e tenta algo diferente”, contou Marcus.

O carnavalesco também frisou que deve grande parte da vitória se deve aos ídolos que ele leva como inspiração desde criança: Renato Lage, Márcia Lávia, Rosa Magalhães e Joãosinho Trinta, por exemplo.

“Via os desfiles deles quando criança e adolescente e sempre me apaixonei. Hoje ter ajudado a Viradouro no segundo título, depois de 1997 onde ela levou o primeiro título com Joãosinho Trinta, é uma dádiva”, contou.

Sobre os preparativos para o Carnaval 2021 Marcus foi enfático.

“Temos que conversar com nossa diretoria e nossa intenção é continuar na Viradouro. Se isso acontecer já temos algumas ideias que estamos desenvolvendo. Será um enredo inédito que ainda não passou pela avenida e com uma valorização da cultura nas raízes brasileiras. Queremos frisar o Brasil e valorizar as raízes”, finalizou.

Foto: Foto-Luana Dias/Casa da Gente

A Prefeitura de Niterói informou que patrocinou as escolas de samba e o carnaval de rua da cidade e a Viradouro teve à disposição R$ 2,5 milhões.

“Niterói tem o melhor Carnaval do Rio de Janeiro, depois da Sapucaí, e precisa ser apoiado pela Prefeitura porque promove o desenvolvimento. Além da parte econômica, é uma festa que desperta e fortalece a identidade do nosso povo pela sua característica da cultura popular. Nós investimos pesado nas mais diferentes expressões culturais de Niterói, e o campeonato da Viradouro coroa a importância que damos nesse quesito, sem prejuízo dos cuidados com a saúde, educação e segurança pública”, concluiu o prefeito Rodrigo Neves.

A vitória da Unidos do Viradouro no Carnaval 2020 confirmou a estratégia da Prefeitura de Niterói de investir em Cultura como forma de incentivar manifestações culturais e movimentar a economia da cidade. Com o enredo “Viradouro de Alma Lavada”, sobre as Ganhadeiras de Itapuã, a escola levou o título depois de 23 anos. Também apoiadas pelo município, a Acadêmicos do Cubango ficou em quinto lugar e a Acadêmicos do Sossego terminou na 9ª posição, ambas na série A do Carnaval.

BATERIA

O famoso Mestre Ciça, que está pelo segundo ano na agremiação, comemorou as notas máximas no quesito bateria. Ao todos foram 300 ritmistas sendo 42 mulheres.

“O sentimento é de emoção e não tem explicação para essa realização. Eu fiquei tão feliz que queria voar de emoção. O trabalho integrado fez toda a diferença. A dupla de carnavalescos eu já conhecia e são de uma geração nova que são ousados e criativos sempre respeitando e se espelhando nos mais velhos”, comentou.

A rainha de bateria, Raissa Machado, também comemorou o título.

“Estou me sentindo de alma lavada, sem dúvida. A Viradouro fez um desfile empolgante e de visual de impacto, enaltecendo a história da mulher negra no Brasil. As Ganhadeiras de Itapuã são história viva, uma das mais comoventes manifestações culturais da Bahia. A medida que fui me aprofundando no enredo, fui me apaixonando mais e mais, e posso dizer que conhecer sobre elas, certamente mudou muita coisa para mim. É uma história que o Brasil precisava ver”, frisou.

A apuração das escolas de samba do Rio de Janeiro aconteceu na tarde da última quarta-feira na Praça da Apoteose. Ao todo foram 45 jurados que julgaram nove quesitos de 13 escolas: fantasias; samba-enredo; comissão de frente; enredo; alegorias e adereços; bateria; mestre-sala e porta-bandeira; evolução; e harmonia. Nesse ano a maior e a menor nota foram descartadas e em segundo lugar ficou a Grande Rio seguida da Mocidade, Beija-Flor, Salgueiro e Mangueira. Duas agremiações foram rebaixadas, Estácio de Sá e União da Ilha do Governador, e a Imperatriz Leopoldinense subiu ao Grupo Especial, que agora voltou a ter 12 escolas.

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