Depois da festa, os efeitos da ressaca

Não tinha ninguém com guardanapos na cabeça. Mas festa oferecida pelo governador em exercício, Cláudio Castro (PSC), para familiares e amigos em Petrópolis, na Região Serrana do Rio no último fim de semana, quando descumpriu as medidas restritivas contra a Covid-19, fez com que deputados da oposição apresentassem uma representação contra o chefe do executivo ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), na tarde de quarta-feira (31).

O pedido foi enviado pelas bancadas do PSOL, PT e PDT da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no qual é solicitada a abertura de um procedimento apuratório. A finalidade é verificar se houve a ocorrência de “atos atentatórios” contra as medidas restritivas decretadas para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. Ainda há o pedido de verificação se o governador em exercício praticou improbidade administrativa.

A justificativa para o pedido é de que Cláudio Castro, como autoridade máxima no Rio de Janeiro, deveria dar o exemplo e cumprir as determinações estaduais e municipais decretadas para o enfrentamento à pandemia. Principalmente, o cumprimento do decreto que ele mesmo publicou e defendeu em pronunciamento à imprensa.

Um dos deputados que assinam o pedido é Waldeck Carneiro (PT) Ele cobra que o MPRJ apure os fatos que causaram indignação na população, adotando as medidas cabíveis ao caso, considerando que o governador teria desrespeitado o decreto estadual com normas restritivas que ele mesmo editou, além do decreto municipal de Petrópolis, que impedia a realização de festas. Segundo Carneiro, o governador estava agiu em desrespeito à lei estadual que votada na Alerj, que ele mesmo sancionou como chefe interino do poder executivo. “Tudo isso causa muita surpresa e até um sentimento de repúdio”, afirmou.

O deputado lembra que dois dias antes de promover a festa, Castro veio a público para fazer um apelo à população para que ficasse reclusa, para que não participasse de festa, enquanto ele mesmo não cumpriu o que havia pedido. “É preciso apurar os fatos, inclusive sobre o emprego de mão de obra de servidores estaduais numa festa particular em dia de domingo”, concluiu.

Além de Carneiro, assinam a representação a deputada Enfermeira Rejane (PCdoB), além de Renata Souza, Daniella Monteiro, Eliomar Coelho, Flávio Serafini, Mônica Francisco, todos do PSOL.

Governador “pagodeando”

Depois da festa de aniversário na Região Serrana do Rio de Janeiro, no último fim de semana, na quarta-feira (31) circulou pelas redes sociais um novo vídeo do governador cantando pagode em uma festa em meio à pandemia de Covid-19.

As imagens da festa com direito a roda de samba foram feitas na casa do deputado estadual Max Lemos (PSDB), em Petrópolis. No vídeo, o governador aparece sem máscara, assim como os músicos que o acompanham. Apesar disso, é possível verificar que há álcool em gel em cima da mesa onde o grupo estava.

Em nota, o Palácio Guanabara informou que se trata de uma gravação feita em fevereiro, portanto antes das medidas restritivas adotadas pelo Estado no chamado recesso sanitário do “superferiado”. Já a assessoria de Max Lemos lembrou que, quando o samba ocorreu, não estavam em vigor as medidas restritivas de isolamento social. Contudo, a segunda onda da pandemia já estava instalada no Brasil. E, atualmente, centenas de pessoas infectadas pela COVID-19 aguardam na fila da agonia por um leito de UTI no Estado do Rio de Janeiro.

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