Depac Niterói vai enviar ofício para proprietário do Castelinho do Gragoatá

O famoso Castelinho do Gragoatá, que teve tombamento municipal em 1993, está há anos depredado e abandonado. Mas durante a pandemia a situação conseguiu ficar mais grave e a destruição do imóvel, que apesar de ser tombado é particular, acontece diariamente. Moradores de rua invadiram a antiga casa e vivem livremente no imóvel, mas o Departamento de Preservação do Patrimônio Cultural (DePAC) vai oficiar o proprietário nos próximos dias para que as providências sejam tomadas.

A diretora do DePAC, Fernanda Couto, explicou que nos próximos dias vai mandar um ofício para os responsáveis do imóvel para que eles tenham ciência da situação do local. “Eles têm a obrigação de fazer a manutenção e manter o bem íntegro. A casa precisa ser restaurada mas para isso o procedimento não é igual a um imóvel comum. O proprietário tem que fazer um projeto de restauração e ele deve ser apresentado, e aprovado, pelo departamento. Isso acontece pois o bem que é tombado é de propriedade privada”, frisou.

O Castelinho foi construído em 1937 para residência da família Amorim da Cruz. Mas ao longo dos anos deixou de ser uma residência para abrigar alguns estabelecimentos, como a famosa Pizzaria Skipper, que tinha como sócio o ator Marcelo Serrado; que nçao Também já foi alugada para uma Casa de prostituição e também para a boate GLS Vollúpya, que era vizinha do Castelinho e funcionava no número 35.

“A boate ficou aberta por 15 anos e quando a gente fazia obra ou reforma alugávamos o Castelinho. Por dentro o sobrado era muito grande tinha um estilo germânico e os vidros eram todos bisotados. O interior era muito bonito e cheio de arabescos e piso de madeira. Ao longo dos anos, conforme o proprietário ia alugando, as pessoas foram deteriorando o lugar que foi perdendo, internamente, suas características. O Castelinho merece ser preservado e restaurado”, contou um dos sócios da boate, Kaio Luiz.

A dona de casa Isabel Pinto, 66 anos, sempre morou no Centro de Niterói e fazia caminhadas rotineiramente na Boa Viagem. Ela diz ter acompanhado a depredação do imóvel. “Essa depredação está acontecendo embaixo dos nossos olhos. Eu sempre passei em frente ao Castelinho e ao longo dos anos ele foi sendo deteriorado. Se nada for feito daqui a pouco ele vai cair no chão e acabou essa história. Eu gostaria que além dele ser trancado e restaurado poderia ser feito um museu no lugar. Seria um bom destino para esse local e se juntaria aos museus no Ingá e São Domingos, um circuito muito pertinho um dos outros”, frisou.

O secretário de Cultura do município, Leonardo Giordano, explicou que a ideia de usar esse espaço não pode ser feita pelo poder público. “A prefeitura não pode pegar dinheiro público para fazer reforma. O fato de ser tombado tem a ver com o manejo do imóvel e não com a propriedade. E essa reforma deve ser feita respeitando as características do processo de restauro”, contou.

Há anos uma placa de vendo anuncia o imóvel, que pode ser comprado por R$ 750 mil, segundo a imobiliária responsável pelo negócio. A imobiliária também não forneceu o contato do proprietário para a reportagem.

HISTÓRIA

O Castelinho do Gragoatá teve tombamento municipal em 07/10/1993 e fica localizado na Rua Coronel Tamarindo, 31. Segundo a Cultura Niterói a edificação eclética é um exemplar típico de residência burguesa do gênero popularmente conhecido com “Castelinho”. Reformada na década de 1940, recebeu diversas transformações ao longo dos anos, sem perder as características arquitetônicas principais. Sobrado com aproveitamento de sótão, misturando influências de nacionalidades diversas – como elementos à moda inglesa, normanda e bávara, próprias da época – o Castelinho do Gragoatá é uma construção de gosto aberto, lúdico, onde a fantasia e a liberdade de criação se conjuga com a diversidade de técnicas construtivas, como alvenaria de pedra, ora bruta ora aparelhada, enxaimel e tijolo aparente. Também se destacam uma escultura de um homem com cachorro na fachada e um torreão, cuja cobertura original em escamas de folhas de flandres foi inadequadamente substituída por fibra de vidro translúcido.

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