Delegados são presos em operação do MP

Uma operação desencadeada na manhã de ontem pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) para combater, entre outros, o crime de extorsão resultou na prisão de 33 acusados, entre os quais 24 policiais civis e seis militares. Do total de prisões decretadas estão a de três delegados, sendo que um deles já esteve à frente da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Niterói. Os acusados foram apontados por extorquir pessoas envolvidas com atividades ilícitas no Estado. Segundo o MP, o grupo extorquia ambulantes, vendedores de mercadorias piratas, bingos, postos de combustíveis, comerciantes (irregulares) e proprietários de veículos. A ação é a segunda fase da operação denominada Quarto Elemento.

O objetivo da ação foi cumprir um total de 48 Mandados de Prisão contra os envolvidos na organização criminosa, que seria liderada por policiais, reprimindo a cúpula do esquema, denominada “Administração”. Segundo os agentes, nela estão envolvidos os delegados Rodrigo Sebastian Santoro Nunes e Delmo Fernandes Baptista Nunes, chefe do setor de investigações, e seu homem de confiança. Outro delegado com papel importante no esquema seria Thiago Luis Martins da Silva, que já passou pela DPCA-Niterói. Além dos 24 policiais civis e seis militares, foram denunciados dois bombeiros militares, um agente penitenciário e mais 15 pessoas que atuavam como informantes ou ajudantes dos policiais. A Polícia Civil não confirmou se os agentes acusados seriam afastados de suas funções. Para o MP, os envolvidos tinham por objetivo identificar infratores com boas condições financeiras para depois praticarem extorsão (o chamado “bote”), que consistia em exigir dinheiro para que os tais infratores não fossem presos ou tivessem bens apreendidos. Em vários casos havia inclusive ameaças e agressões físicas.

De acordo com a investigação, a atuação do delegado Thiago Luis ocorria quando o “bote” não era acertado imediatamente após a abordagem. Nesses casos, o alvo era levado para a delegacia e apresentado ao delegado, que atuava no convencimento ao pagamento ilegal de propina, na medida em que dava credibilidade às ameaças feitas pelo grupo no local da abordagem.

O esquema teve início na 34ª DP (Bangu), mas quando houve transferências dos policiais envolvidos, foi praticado na 36ª DP (Santa Cruz) e depois na Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) de Niterói. Na primeira fase da Operação Quarto Elemento, quatro policiais civis e dois informantes foram presos. A atividade ilícita persistiu quando agentes acusados foram transferidos para a DPCA, a partir de maio de 2017. Até o fim da manhã de ontem, o delegado Rodrigo Santoro era considerado foragido e o delegado Thiago Luis Martins da Silva se apresentou na 5ª DP (Centro) pela manhã. Agentes já haviam comparecido na residência de ambos, respectivamente nos bairros da Taquara (Zona Oeste) e Tijuca (Zona Norte), mas não localizaram os delegados. O chefe de cartório aposentado da Polícia Civil, Delmo Fernando Batista Nunes, foi preso na Barra da Tijuca (Zona Oeste).

Thiago entrou para a Polícia Civil em 2013 e atualmente estava à frente da Central de Garantias da Polícia Civil. Os acusados foram denunciados por organização criminosa, corrupção, concussão, extorsão e peculato, entre outros crimes.

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