Delegados da Polícia Federal assassinados em Florianópolis

Dois delegados federais, que atuaram na Delegacia de Polícia Federal (DPF) de Niterói até bem pouco tempo, foram assassinados a tiros, na madrugada de ontem, numa casa noturna de Florianópolis (SC), e uma terceira vítima está internada. Segundo as primeiras informações (que até a tarde de ontem ainda estavam sendo checadas), os delegados Elias Escobar, de 60 anos, e Adriano Antônio Soares, de 47 anos, morreram depois de se envolverem numa briga no interior do estabelecimento, no bairro Estreito, com uma terceira pessoa, que também foi baleada. Os delegados não estavam de serviço.

Houve tiroteio no local. Um dos delegados abriu inquérito para apurar as circunstâncias do acidente aéreo, em janeiro, que resultou na morte do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki em Paraty. Policiais informaram que um dos delegados (Elias) morreu no local e o outro (Adriano) ainda chegou a ser socorrido, mas também faleceu a caminho do Hospital Florianópolis. A terceira vítima, identificada como o comerciante Nilton Cesar Souza Junior, 36 anos, está internado. Ainda de acordo com a Polícia Militar, a confusão teve início na frente da casa noturna e terminou apenas no hospital. Durante a discussão, o comerciante, mesmo ferido e armado, ainda teria dado um tiro contra o táxi onde estava um dos delegados, que morreu instantes depois. Este disparo, no entanto, não teria atingido o policial, que morreu em decorrência de outros disparos que o atingiram no estabelecimento.

Elias Escobar e Adriano Soares estavam em Santa Catarina, desde a semana passada, participando de um curso promovido pela corporação. Ênio Matos, delegado que apura a ocorrência, afirmou que as circunstâncias da briga no interior do estabelecimento ainda estão sendo investigadas, com testemunhas sendo ouvidas. O diretor da Polícia Civil da Grande Florianópolis, Verdi Furlanetto também acompanha o caso.

Imagens de câmeras de segurança devem ajudar no esclarecimento do fato. Outra informação fornecida para a polícia, que o comerciante envolvido na briga e no suposto tiroteio seria vendedor de cachorro-quente, mas exímio atirador. A ocorrência está a cargo da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, com apoio da Polícia Federal.

Investigação sigilosa aberta na cidade de Angra dos Reis
O delegado Adriano Soares estava à frente da DPF-Angra desde 2009, depois de deixar a DPF-Niterói. Em janeiro desse ano abriu inquérito para apurar as circunstâncias do acidente aéreo que resultou na morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki – que era relator da Lava Jato – e mais quatro pessoas em Paraty (RJ). Na época, o delegado decretou sigilo sob a investigação, que foi encaminhada para a PF de Brasília. Adriano antecedeu Elias em Niterói. Soares era delegado da PF desde 1999. Já Elias era chefe da Polícia Federal em Niterói (DPF) até março deste ano. Antes disso, ele atuou em Volta Redonda, onde comandou várias operações. Entre elas, em 2014, oito policiais civis acusados de envolvimento com tráfico de drogas e extorsão no Sul Fluminense, em Minas Gerais e em São Paulo foram alvo de investigação comandada por ele. No ano de 2013, quando assumiu a chefia em Volta Redonda, o delegado prometeu que iria combater as milícias na região.

No fim da manhã, a Polícia Federal emitiu nota informando que ambos estavam na cidade participando de uma capacitação interna. O falecimento dos policiais decorreu de uma troca de tiros em um estabelecimento na capital catarinense. “Sobre informações que relacionam um dos policiais mortos à investigação do acidente aéreo que vitimou o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, a PF esclarece que o inquérito que apura o caso encontra-se em Brasília/DF, presidido por outro delegado, e apenas foi registrado em Angra dos Reis, local do fato”.

Sandro Araújo lamentou o fato
O vereador de Niterói e policial federal Sandro Araújo (PPS) estava muito abalado na manhã de ontem na Câmara e lamentou a morte do delegado Adriano Antônio Soares. “Ele fazia parte de uma bela safra de delegados federais. Conhecia-o há 31 anos. Foi seguramente o melhor chefe de operações da delegacia de Polícia Federal em Niterói dos últimos tempos”, falou.

Sobre Elias Escobar, Araújo disse ser um dos mais fiéis apoiadores que teve em sua carreira. “Um amigo, que esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis que passei na minha jornada na Polícia Federal”, concluiu. (colaborou Wellington Serrano)

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