Defensorria pede afastamento de policial acusado de agredir estudante

Anderson Carvalho –

A Defensoria Pública do Estado entregou à Corregedoria de Polícia Civil no último dia 20, o pedido de afastamento e também o de suspensão do porte de arma do policial acusado de agredir o estudante de Artes da UFF Andrei Apolônio dos Santos, de 23 anos, por homofobia. De autoria do Núcleo da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos da Defensoria (Nudiversis), o documento também foi entregue ao Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) para o devido acompanhamento. No último dia 19, a vítima reconheceu o policial que o agrediu, em depoimeto na Corregedoria.

“Ainda existe risco à integridade da vítima e à efetividade das investigações. Além disso, a gravidade dos atos de tortura dos quais o policial é acusado justifica que seja afastado de suas funções, de maneira cautelar, e que tenha o porte de arma suspenso”, destaca a coordenadora do Nudiversis, Lívia Casseres.

Andrei disse ainda em depoimento na Corregedoria, no último dia 19, que passou por uma “sessão de tortura física e psicológica” ao tentar registrar o furto do seu celular na 81ª DP (Itaipu), na Região Oceânica, na madrugada do último dia 13. De acordo com o depoimento, as agressões foram motivadas por homofobia, já que o policial teria se irritado com o “estilo de ser” do jovem e também por ter sido procurado por ele na delegacia por volta das 4h da manhã. O estudante contou que voltava para casa de ônibus quando sentiu falta do celular e por isso decidiu procurar a unidade para o registro imediato da ocorrência.

Já no local o rapaz disse que precisou bater na porta e que foi atendido de forma ríspida, sendo conduzido para o interior da delegacia. Em vez de ter sua ocorrência registrada, levou tapas no rosto de um dos agentes enquanto outro, também de plantão, presenciou tudo e nada fez. O universitário relatou ainda que tentou fugir, mas foi alcançado no estacionamento e agredido ainda mais.

Procurada, a Corregedoria, responsável pelas investigações do caso, ainda não recebeu esse pedido da Defensoria Pública. Amigos de Andrei marcaram manifestação na próxima quinta-feira (27), às 16h, na Praça Araribóia, no Centro, contra a agressão sofrida pelo estudante. Às 17 horas farão uma caminhada até a Praça da Cantareira.

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