Defensora acusada de injúria alega problemas emocionais para não depor

A defensora pública aposentada Cláudia Alvarim Barrozo, suspeita de cometer injúria racial contra dois entregadores, alegou problemas emocionais e não compareceu, novamente, para prestar depoimento. Ela era aguardada nesta sexta-feira (13) na 81ª DP (Itaipu), delegacia que está investigando o caso.

De acordo com o delegado Carlos César, titular da distrital, o advogado que representa a acusada entrou em contato afirmando que sua cliente não estava em condições emocionais de prestar depoimento. Ainda segundo Carlos César, o defensor se comprometeu a apresentar comprovantes médicos que atestariam a justificativa.

“O advogado da Sra. Claudia informou que ela está muito abalada e precisou ser medicada. Por este motivo, não irá comparecer para prestar declarações. O advogado disse que iria apresentar comprovantes médicos”, afirmou o delegado.

O delegado Carlos César – Foto: Arquivo/Vítor d’Avila

Ainda de acordo com o delegado, está descartada nova intimação para que Cláudia deponha. É importante frisar que ela também foi aguardada para depor na última terça-feira (10), mas não compareceu à delegacia. Contudo, Carlos César afirmou que, enquanto o inquérito ainda estiver aberto, ela pode comparecer, de forma voluntária.

“Não vou mais intimá-la.  Se dentro do prazo de conclusão do inquérito ela comparecer, será ouvida.

Caso contrário, farei o relatório sem as declarações dela”, completou. O inquérito tem até o dia 30 de maio para ser concluído, ou seja, um mês após o início da investigação. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Cláudia. O espaço permanece aberto caso queiram se manifestar.

Direitos Humanos entra no caso

A denúncia passou a ser acompanhada pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Niterói. Os entregadores Eduardo Peçanha e Jonathas Souza foram recebidos pelo titular da pasta, Rafael Adonis, na última semana. O secretário comentou sobre o caso.

Este encontro de hoje é representativo, pois demonstra que a cidade de Niterói não vai tolerar o absurdo e desprezível ato de racismo. Todo o apoio institucional será prestado às vítimas desta terrível injúria racial para a que a responsável seja punida. Não podemos tolerar mais este tipo de atitude em nossa cidade”, destacou.

Foto: Divulgação/SMDH

Para Jonathas Souza, a acolhida da Secretaria de Direitos Humanos, será fundamental para que o processo contra a defensora tenha mais força.  “É importante para fortalecer a gente nesse processo contra ela, mas além disso, para que ninguém possa esconder o que acontece nesses momentos, porque todos nós somos humanos e não o que essas pessoas pensam da gente”, comentou.

A denúncia

O caso ganhou repercussão na imprensa e nas redes sociais, através de um vídeo divulgado por Eduardo, no qual a defensora pública aposentada, Cláudia Alvarim Barrozo, chama um dos entregadores de “macaco”. Segundo os relatos das vítimas, a defensora já havia se comportado com violência anteriormente, ao arremessar objetos no veículo em que estavam, após a van permanecer parada em frente à residência da servidora, enquanto outras entregas eram feitas.

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