Decisão da Anvisa repercute em sessão da Câmara de Niterói

Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rejeitar a importação da vacina Sputnik V, representantes do Consórcio Nordeste contestaram a decisão alegando motivações políticas para a não autorização da compra do imunizante. Na sessão da Câmara de Vereadores de Niterói realizada na quarta-feira (28), a primeira após a rejeição da Anvisa, os parlamentares também debateram a questão. O prefeito Axel Grael se posicionou sobre o assunto no mesmo dia da decisão, mas preferiu não politizar a questão.

Durante a sessão, a vereadora de Verônica Lima (PT) disse que lhe causou estranheza o fato de mais de 60 países fazerem uso da Sputnik V e a Anvisa negar a importação. A parlamentar contou que ouviu argumentações que a vacina não está sendo usada na Rússia, mas, segundo ela, o governo russo preferiu exportar a vacinar sua população e essa é uma questão que deve ser resolvida internamento no país.

“Nós temos mais de 60 agências no mundo inteiro dizendo que pode vacinar suas populações e milhões de pessoas que foram vacinadas com a Sputnik V e temos 20% da população russa vacinada com esse imunizante. A gente tem que considerar isso. Não é sobre o grau de insegurança da vacina, pois tem instituição do mundo inteiro dizendo que a vacina tem mais 90% de eficácia”, declarou.

Douglas Gomes (PTC), lembrou que alguns grupos não podem ser imunizados com as vacinas que já estão em uso no Brasil, por falta de testes.

“A vacina Sputnik V foi rejeitada por falta de dados e não cabe a nós fazer pressão exigindo que seja aprovada. A liberação da compra de uma vacina, dentro da Anvisa, exige suas especifidades e especificações que devem ser atendidas. Ouço pessoas chamando o governo de negacionista, mas o que interessa aqui é que a nossa agência nacional libere ou não o uso”, afirmou.

Para o vereador Daniel Marques (DEM) o debate precisa ser científico e deixar de ser um debate pensando nas eleições de 2022. “Eu só quero que as pessoas estejam vivas até lá. A prefeitura de Niterói fez um contrato de intenção da compra da Sputnik V, e foi um questionamento nosso, do porquê de não comprar vacinas já aprovadas pela Anvisa e nos explicaram que não estavam à venda. Quem está a venda é a Sputnik V. A questão é lê o que está posto e conversar com os amigos médicos e tomar sua decisão. Eu não consigo, neste momento, ser contra comprar vacina, mas a Sputnik V está em 61 países com homologação preliminar. Isso precisa ser debatido”, afirmou.

Sem polêmica

Logo após a rejeição por parte da Anvisa, a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói emitiu uma nota informando que não houve pagamento antecipado para a compra da vacina Sputnik V encomendada pela Prefeitura. Não há desta forma prejuízos aos cofres públicos municipais. Procurado para se manifestar se acreditava sobre se a decisão foi ou não baseada em questões políticas, o prefeito preferiu não se pronunciar sobre o assunto.

Na terça-feira, o prefeito de Niterói, Axel Grael (PDT), usou as redes sociais para lamentar a decisão. “Niterói se mantém firme no propósito de acelerar a imunização. Para isso, continuaremos cobrando agilidade do Ministério da Saúde, responsável pelo envio de vacinas para os municípios. Também vamos continuar atuando em diferentes frentes para a compra de vacinas seguras e eficazes”, publicou.

Marcelo Almeida

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