De olho na reeleição, Castro muda primeiro escalão do Governo do Estado

As recentes mudanças feitas pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em seu secretariado, vão dando a dimensão de seu principal propósito político no Palácio Guanabara: permanecer no cargo até o final de 2026. No entanto, para que isso seja possível, Castro precisa ser reeleito para o cargo no ano que vem. A pandemia, pelo que parece, já ficou para trás em termos de prioridade, apesar de ainda latente na vida das pessoas e na economia fluminense, e o que vale agora é a celebração de acordos, acertos, ajustes e alianças no estafe estadual visando o pleito.

Cláudio Castro, neste momento, é o mais forte ‘croupier’ do estado do Rio de Janeiro. É o dono da banca e dá as cartas. O Regime de Recuperação Fiscal jogou para longe o pagamento das dívidas do estado com a União e, somado a isso, a precariedade de muitos municípios em situação econômica e financeira calamitosa, com exceção daqueles que recebem royalties do petróleo do pré-sal, vários de seus potenciais adversários eleitorais estão enfraquecidos. Alguns destes, atualmente, chegam a posar de aliados, como, por exemplo, o ex-governador Garotinho, cujo filho é prefeito de Campos, que nesse momento depende muito apoio financeiro do estado para manter o básico da administração pública em funcionamento.

A família Garotinho, que está enfraquecida no Governo do Estado, tem como principal força de oposição em Campos – seu reduto político – o clã Bacelar, este sim prestigiado por Castro por meio do deputado estadual Rodrigo Bacelar, agora secretário estadual de governo. Em Campos, o irmão de Rodrigo, o vereador Marquinhos Bacelar, é a principal voz da oposição. Juntos, eles têm articulado insurreições na base de sustentação do filho de Garotinho na Câmara de vereadores, causando desgastes na relação do prefeito com o Legislativo campista. As condições econômicas da prefeitura de Campos não dão aos Garotinho meios de negociação política com os políticos adeptos ao fisiologismo tampouco de governar sem ajuda do governo estadual.

No final do mês de maio, após migrar para o Partido Liberal com a bênção do presidente Jair Bolsonaro, Cláudio Castro nomeou o deputado Rodrigo Bacelar (atualmente no PSC mas que deve migrar para o PL) para a secretaria de governo. Ele passa a ser a voz política do governador e, em tese, as tratativas dos Garotinho passam por Bacelar.

Na semana passada, Comte Bittencourt foi exonerado da Secretaria de Educação, conforme A TRIBUNA já havia antecipado, para dar lugar a Alexandre Valle (PL), cuja base eleitoral é Itaguaí. O governador também criou uma nova secretaria – a de Envelhecimento Saudável – para acomodar mais uma liderança do PL, Antônio Pedregal, com base eleitoral na capital fluminense.
Na última quarta-feira (9), mais mudanças: na Secretaria de Trabalho e Renda: o Capitão Paulo Teixeira (Republicanos) saiu para a entrada de Léo Vieira (atualmente no PSC, mas que deve migrar para o Podemos); na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Leonardo Soares deixa o cargo para a entrada de Vinicius Farah (MDB); e na Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC) dá lugar a Matheus Quintal (Republicanos). Com as mudanças, Castro passou a contar com o apoio de 8 partidos na Alerj: PL, MDB, Democratas, Republicanos, Podemos, Solidariedade, PSL e Avante.

A mudança da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos é a mais significativa. Porque ao mesmo tempo em que fortalece o Republicanos com uma pasta mais robusta para a articulação de políticas eleitorais, enfraquece a família Garotinho, a quem o deputado estadual Bruno Dauaire (PSC) é ligado, confirmando o declínio do prestígio do ex-governador e de seu filho no governo Cláudio Castro. Vale lembrar que, recentemente, Wladimir Garotinho, após um encontro político no Palácio Guanabara, chegou a ser internado em um hospital no Rio com fortes dores no peito. Diagnóstico clínico à parte, o resultado político de tal encontro realmente tem potencial suficiente para fazer o filho do Garotinho passar mal.

Isso porque, na atual conjuntura política, com Rodrigo Bacelar, seu adversário político, comandando a governança do estado, e Bolsonaro alinhadíssimo com Castro, o ex-governador Garotinho e seu filho – com o pires da prefeitura de Campos na dependência de esmolas estaduais e federais – terá de pesar muito seus próximos passos políticos.

O fortalecimento do PL no governo do estado pode produzir consequências também na capital. O partido ocupa duas pastas importantes na administração de Eduardo Paes: Nilton Caldeira, vice-prefeito do Rio, e membro do PL é o atual secretário municipal de Habitação; e Bruno Bierrenbach Bonetti comanda a RioLuz. Paes, que recentemente foi para o PSD, liderado nacionalmente por Gilberto Kassab, lançou o nome do presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz para a sucessão estadual, como candidatura de oposição à Cláudio Castro. O advogado, bem como sua família, são desafetos históricos de Jair Bolsonaro, líder político de Castro na atualidade.

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