Cúpula do tráfico se reúne para tramar execuções de policiais

Augusto Aguiar –

Se a polícia já estava atenta no combate à violência no Rio e em municípios como Niterói e São Gonçalo, desde a noite da última terça-feira (14) esse alerta foi intensificado e toda atenção passou a ser redobrada, com foco voltado para as duas últimas cidades. O motivo teria sido o repasse para várias autoridades, na noite de terça, véspera do feriado, de um informe dando conta que a cúpula do tráfico em São Gonçalo teria promovido uma reunião para tramar atentados contra policiais civis e militares.

Os ataques seriam uma ação ousada de vingança, promovida por líderes de uma facção criminosa após a operação, realizada na madrugada de sábado passado, por agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais/Core (da Polícia Civil) e militares das Forças Especiais do Exército, que resultou em sete mortos e pelo menos quatro feridos no Complexo do Salgueiro. Através do Disque Denúncia (2253-1177) chegou a informação de que na tarde de terça-feira líderes de tráfico de comunidades de São Gonçalo, Thomaz Jhayson Vieira Gomes, o 2N, líder do tráfico no Complexo do Salgueiro, Schumaker Antonácio do Rosário, o Shumaker, que comanda a venda de drogas no bairro Jardim Catarina, outro conhecido como Lourinho, primo do bandido apontado como mais procurado do estado, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, e uma mulher identificada como Paulinha (esposa de outro criminoso conhecido como DG), oriunda do Jardim Catarina, entre outros, se reuniram entre as ruas General Roca e Basílio Teles, nas imediações do Campo da Lodial, no Boaçu. Na “pauta” da cúpula do crime estava o plano para promover atentados contra policiais civis e militares no eixo São Gonçalo-Niterói, com foco nos agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), com base em Niterói – que trabalha no esclarecimento de detalhes da operação que resultou em sete mortos no Salgueiro – e militares do 7º BPM. Os atentados contra os agentes civis e militares seriam atos de “vingança”.

Ao tomar conhecimento dos informes anônimos sobre o encontro de criminosos, o Disque Denúncia repassou um alerta para agentes da Delegacia de Combate as Drogas (Decod), Comando de Operações Especiais (COE), 72ª DP (Mutuá), 7º BPM (São Gonçalo), Delegacia de Polícia Federal (DPF-Niterói), Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), além de coordenadorias de Inteligência das polícias Civil e Militar. Todos estão de sobreaviso. “Recebemos o informe que nos foi repassado pelo Disque Denúncia sobre a tal reunião. Ações nessas regiões já estão sendo desenvolvidas”, afirmou o delegado Marcos Amin, da DHNSG.

Com referência à apuração de detalhes de como ocorreu a ação conjunta Core-Exército na madrugada do dia 11, Amin confirmou que dois procedimentos foram instaurados. Um deles pela especializada, ouvindo esclarecimentos dos agentes da Core que participaram da ação no Salgueiro e perícia de suas armas. O outro procedimento (interno) foi instaurado pelo Exército, relacionado aos agentes das Forças Especiais.

Procurados estavam na reunião
Schumaker é apontado pela Polícia Civil como de alta periculosidade. Foragido do Sistema Penitenciário, ele é ligado a facção criminosa Comando Vermelho (CV) e condenado por crime de homicídio e assalto a mão armada a mais de 29 anos de reclusão. Há uma recompensa de R$ 10 mil por informações que levem à sua captura. Ele foi preso em agosto de 2003, por assalto. Em outubro de 2013 recebeu o benefício de cumprir o restante de sua pena no regime semiaberto, porém, não retornou para o Instituto Penal Edgar Costa, no Centro de Niterói. Além do tráfico, Schumaker e sua quadrilha são acusados (investigados pela DHNSG) de envolvimento na morte do soldado Dayvid Lopes Atanásio, em 2014. Como se não bastasse, segundo investigações teria oferecido recompensa para quem matasse policiais na região do Jardim Catarina.

Também apontado como outro dos mais procurados pela polícia em São Gonçalo, 2N teve o valor da recompensa por informações que levem a sua captura aumentado de R$ 1 mil para R$ 10 mil. Além de comandar o tráfico no Salgueiro, a polícia explica que ele estaria por trás ainda de dezenas de crimes de roubos de cargas e de homicídios. À sua disposição estariam dezenas de criminosos fortemente armados, inclusive com fuzis e granadas. No Complexo do Salgueiro estariam escondidos diversos marginais procurados em comunidades do Rio para ficarem ao lado de aliados de facção. O bandido chegou a ser preso em 2014 por agentes da DCOD, chegando a ficar preso por cerca de um ano. Saiu em liberdade em 2015, sendo desde então apontado por vários crimes, entre eles um duplo homicídio de dois amigos num baile funk ocorrido no Salgueiro.

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