Cuidados com outras doenças devem ser redobrados

Em tempo de pandemia do coronavírus muito se fala de tratamentos, métodos de prevenção e como agir em caso de contágio. Mas como devem ser os procedimentos para quem tem alguma doença crônica ou está em algum acompanhamento médico e precisa ir em consultórios e hospitais? Especialistas dão dicas de como proceder nessa situação, mas a regra é clara: não deixar de se cuidar, já que o número de mortes em casa aumentou oito vezes nos últimos meses.

O médico Ângelo Di Candia, responsável pelo setor cardiológico do Hospital e Clínica São Gonçalo, frisou a necessidade desse tratamento.

“Para doenças de curso agudo, como uma crise de pressão alta, uma isquemia cerebral e até o infarto agudo do miocárdio, a ida ao hospital é igualmente necessária e decisiva para a recuperação do quadro. As consequências podem ser catastróficas. As observações mais recentes têm mostrado que o número de pessoas com infarto e morte em casa aumentou até oito vezes nos últimos meses. As pessoas estão indo menos o hospital, relutando em procurar ajuda médica por medo de adquirir a Covid nos ambientes hospitalares. É importante lembrar que nossos hospitais são o lugar mais seguro do mundo para se estar se você está com sintomas de infarto, e nunca o contrário”, afirmou.

A aposentada Fátima Silva, 61 anos, está vivendo na pele esse momento e teve que ser estimulada pelos seus filhos a voltar à sua rotina de cuidados. A moradora do Ingá tem diabetes e precisa ir ao endocrinologista de dois em dois meses, além da terapia e análise sanguínea de três em três meses.

“No primeiro momento eu fiquei em pânico de contrair o coronavírus e fiquei em casa por mais de 40 dias. Mas percebi que esse isolamento total estava fazendo mal para a minha saúde e até minha glicose estava mais alta. Resolvi ir ao consultório e ter minha consulta. Tentei manter a normalidade e evitei tocar nas coisas e não coloquei a mão no rosto. Também uso só uma das mãos quando estou na rua e faço uma divisão mental de mão suja e mão limpa. Minha filha me levou ao consultório e me buscou. Depois eu fui na terapia e lá a minha psicóloga combinou da gente fazer o atendimento online. Isso também foi bom para mim. Na semana que vem vou fazer meu exame de sangue e depois vou ver como entrego para meu endocrinologista. Eu coloquei na minha cabeça que eu tenho que continuar com o tratamento da minha doença senão eu não morro do coronavírus e morro de diabetes”, brincou.

Já o médico Cláudio Catarina, gestor da unidade coronariana do Hospital Icaraí, no Centro de Niterói, explicou que deve-se ter todo um cuidado para atender pacientes com doenças crônicas em meio à pandemia.

“Separamos alas e andares inteiros do hospital, bem como unidades específicas onde os pacientes ‘não Covid’ possam ser assistidos com menor risco de contaminação. Inclusive, os profissionais da assistência são também distintos para que não levem a infecção ao paciente não Covid”, acrescentou.

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