Crise hídrica pode acelerar construção de barragem no Rio Guapiaçu

Raquel Morais –

O longo período de estiagem pode favorecer a construção da barragem no Rio Guapiaçu. A medida seria para ajudar a controlar a vazão de água, já que a chuva não está contribuindo com os níveis dos rios Guapiaçu e Macacu. A Cedae, que realiza a captação das águas para o sistema Imunana-Laranjal, já fez manobras operacionais excepcionais, que reduziram o fornecimento de água para a população.

O sistema Imunana-Laranjal abastece as cidades de Niterói, Itaboraí, São Gonçalo, parte de Maricá e a Ilha de Paquetá. A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) iniciou o projeto básico e o licenciamento ambiental da construção da barragem, porém os trabalhos não avançaram por falta de entendimento com a população local, que não aceita a intervenção.

A Cedae confirmou o baixo nível de água por conta da ausência de chuva e informou em nota que estava operando o sistema Imunana-Laranjal de forma a não permitir consequências maiores ao abastecimento de água a Itaboraí, São Gonçalo, Niterói, Ilha de Paquetá, e aos distritos de Maricá, Inoã e Itaipuaçu. No entanto, devido ao agravamento da situação nas últimas semanas, houve necessidade de realizar manobras operacionais excepcionais o que, consequentemente, reduziu a produção de água no sistema Imunana-Laranjal, diminuindo o fornecimento de água à população destas localidades. Portanto, é fundamental que o consumo de água seja feito de forma racional para contribuir com o melhor abastecimento. A Cedae solicita a cooperação de todos no combate ao desperdício.

E quando o assunto é desperdício o despachante André Luis Souza, de 46 anos, dá algumas dicas para economizar água. “Eu me preocupo com o planeta e com meus vizinhos. Mesmo que na minha casa tenha água, eu não gasto a toa. Tenho uns baldes no quintal para ajudar na limpeza, gasta menos que a mangueira. Basta mudar o comportamento e entender que a água é de todo mundo”, comentou o gonçalense.

A equipe de reportagem de A TRIBUNA conversou com a subsecretária de Segurança Hídrica e Governança das Águas, Eliane Barbosa, da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA) sobre os níveis dos rios, construção da barragem e racionamento de água:

A TRIBUNA – Qual a real situação do Rio Guapi-Macacu?
Eliane Barbosa – Desde o início de setembro, a ausência de chuvas na região do Guapi-Macacu vem provocando uma redução dos níveis dos rios, causando impactos na captação do sistema Imunana-Laranjal. Os níveis atuais dos rios Guapi-Macacu encontram-se semelhantes aos observados nos últimos anos nos meses de setembro e outubro. O Plano Estadual de Recursos Hídricos mostra que a vazão de produção média do sistema já não atende a demanda atual e há necessidade de outras fontes alternativas de abastecimento para esta região.

AT – Qual importância dessa construção?
EB – A principal vantagem da barragem é permitir uma reservação de água nos períodos de chuva garantindo uma vazão maior durante os períodos mais secos. A exemplo do que ocorre nos sistemas do Paraíba do Sul e em Juturnaíba e que puderam garantir água nos meses de estiagens mais severas, como a de 2014. A barragem do Guapiaçu atenderia a demanda atual reprimida e para um horizonte de planejamento de 2030.

AT – Quais medidas a população deve tomar enquanto a barragem não é construída e a água está em menor vazão?
EB – A ocorrência de chuvas nestes últimos dias provocou um aumento momentâneo do nível do rio, mas não o suficiente para se dizer que o período de estiagem passou. Ainda estamos num período de atenção e é preciso aguardar novas chuvas nos próximos dias para que se cessem os riscos de problemas de disponibilidade de água deste sistema. É importante que a população economize água, usando este recurso de forma consciente.

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