Crise faz população mudar hábitos que antes eram comuns

Raquel Morais

Estacionar o carro no estacionamento particular ou no rotativo? Levar bebidas e comidas para a praia ou consumir nos quiosques da areia? Fazer a unha em casa ou pagar uma manicure? Sair para comer em um restaurante ou pedir o delivery? Essas são algumas questões que o niteroiense entende bem quando o assunto é economizar. E o racionamento de dinheiro pode chegar até aos 328,5% de diferença com pequenas mudanças de hábitos.

Na Avenida Sete de Setembro, em Icaraí, o estacionamento particular cobra a primeira hora R$ 10 e as demais R$ 5. O Niterói Rotativo, estacionamento de rua, cobra R$ 3,5 por duas horas, ou seja, para estacionar em Icaraí por duas horas o gasto no particular é de R$ 15 enquanto na rua sai por R$ 3,50. A diferença pode render uma economia de 328,5%. Já na Rua Miguel de Frias o estacionamento particular cobra R$ 6 a primeira hora e R$ 4 as demais, então o mesmo período de duas horas totaliza R$ 10 enquanto na rua custa os mesmos R$ 3,50, diferença de 185,71%.

Quando comparado o valor do estacionamento rotativo da cidade de Niterói com a do Rio de Janeiro a diferença no pagamento pode chegar aos 250%. Para permanecer em uma vaga rotativa nas vias da cidade por um período superior a duas horas, o motorista precisa desembolsar R$ 7. Já no Rio de Janeiro, mesmo em pontos turísticos como a Lagoa Rodrigo de Freitas ou praias, o mesmo período custa apenas apenas R$ 2, uma diferença de 250%. Já a garagem subterrânea do Centro, perto das Barcas, é da mesma empresa, e cobra R$ 5 a hora, ou seja, duas horam seriam R$ 10, o que equivale a 185,71% mais caro. O comerciante Fernando Monteiro, 46 anos, mora no Centro de Niterói e trabalha em São Domingos e, por conta do preço do estacionamento, tem dias que faz o trajeto de bicicleta. “Tenho dois carros mas uso bicicleta para economizar tempo e dinheiro. São poucas vagas e o valor é alto. Tenho um imóvel no Rio e a diferença é muito e não entendo o motivo”, indagou o niteroiense.

E a economia não pára somente nos estacionamentos, no ramo da gastronomia existem alguns meios para conseguir ‘esticar o dinheiro’. O niteroiense Fábio Paz, 36 anos, é adepto de levar o famoso isopor para a praia com suas bebidas, e na ponta do lápis, a economia é de mais de R$ 50. Ele leva 12 latas de cerveja, duas latas de refrigerante e duas garrafinhas de água. Comprando todas as bebidas no supermercado, ele gasta R$ 39. “Se eu fosse comprar isso no quiosque gastaria R$ 92. “Acho que vale muito a pena ter esse trabalho para no final ter uma economia boa”, comentou o representante comercial. Pedir comida em casa também é uma ótima opção para gastar menos na rua e com esse conceito o idealizador do Caranguejão Delivery, Rodrigo Orelha, entrou no mercado. “As pessoas não querem gastar dinheiro e terem trabalho e nessa lacuna conseguimos nos inserir no mercado. Fazer um caranguejo requer uma série de ingredientes que, as vezes dependendo da quantidade, não vale a pena a pessoa comprar. Aí surge o delivery”, comentou.

Na beleza e na saúde também é possível economizar e a empresária Alessandra Chagas, dona de um salão de beleza que leva seu nome no Centro de Niterói, informou que a queda na procura pelo servido de manicure diminuiu cerca de 50% nos últimos meses. “Fazer as unhas das mãos é mais fácil do que as dos pés, então muita cliente acaba fazendo a unha em casa para cortar uma despesa ‘extra’”, salientou. Já o idealizador do aplicativo Farmaup, que tem rede de farmácias credenciadas, disse que viu na economia uma das justificativas para montar o sistema delivery de medicamentos. “A minha ideia era para a pessoa não precisar gastar dinheiro com ligações, gasolina para ir até a farmácia e também ter a opção de pesquisar preços sem precisar ficar ligando para todas as farmácias”, sintetizou Thiago Mello, 30 anos.

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