Crise econômica ameaça projeto de educação intercultural

Wellington Serrano –

Com o objetivo de diagnosticar a situação das escolas atendidas pelo projeto de Educação Intercultural em tempo integral do estado ameaçado com a crise financeira, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) fez uma reunião, na manhã desta quinta-feira (23), no Colégio Brasil França, em Charitas, Zona Sul de Niterói, com as comunidades escolares atendidas pelo programa.

Segundo o membro da Comissão da Educação, deputado Flávio Serafini (Psol), o importante no momento é buscar alternativas que evitem o seu desmanche. “A educação mais uma vez paga a conta da má administração do Estado do Rio de Janeiro. Os cortes na área colocam sob ameaça o Ensino Médio Intercultural”, disse.

Segundo ele, esse projeto de educação integral era concebido para se tornar referência para as escolas pública e está cada vez mais ameaçado devido a precarização da rede estadual. “A degradação se aprofunda quando o Governo retira a gratificação dos professores. Era esse recurso que garantia a ampliação das horas de trabalho dos educadores e a efetivação das aulas em tempo integral”, ressaltou.

No encontro, os deputados formularam um relatório com a observação dos problemas e o apontamento de caminhos para solução a serem encaminhados ao Governo Estadual, além do Ministério Público Estadual. “Esse processo se inicia com a reunião desta quinta e a vistoria da estrutura e condições de aprendizagem do Brasil-França”, realçou Flavio Serafini.

Segundo o deputado Waldeck Carneiro (PT), o projeto está sendo desmontado devido à supressão da gratificação que possibilitava aos professores trabalhar 30 horas semanais. “Esse é um problema que já afeta várias escolas do Dupla Escola, ou seja, não apenas as escolas interculturais. Há casos em que os parceiros internacionais estão abandonando o projeto, quando percebem que a Seeduc não faz a sua parte na parceria. A Comissão de Educação da Alerj fará uma audiência para debater o projeto das escolas interculturais, que apesar de ainda estarem em fase de consolidação, já enfrentam dificuldades que podem inviabilizá-las”, lamentou Waldeck.

Ensino Médio Intercultural
O Ensino Médio Intercultural tinha uma proposta ousada de educação integral. Tratava-se do Ensino Médio Regular de Formação Geral, cuja proposta curricular promove o desenvolvimento em Língua Estrangeira com ações pedagógicas formais e não formais, promovendo e valorizando aspectos culturais e a interculturalidade.

Apenas cinco escolas no estado foram contempladas com essa política de excelência: CIEP 449 – Brasil – França e Colégio Estadual Matemático Joaquim Gomes de Sousa, com a cultura Brasil – China (ambos em Niterói); Colégio Estadual Hispano Brasileiro – Brasil – Espanha (Rio); CIEP 117 – Brasil – Estados Unidos (Nova Iguaçu); CIEP 218 – Brasil-Turquia, em Duque de Caxias.

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