Crise da Educação no Estado do Rio de Janeiro vai afetar escolas de Niterói

Wellington Serrano

Mais de 100 escolas cariocas estão tendo turnos e turmas fechadas ou transferidas para outras unidades pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro. O que pode ter um impacto grande em termos de aumentar ainda mais a evasão escolar no município. Pais e professores temem que as turmas que sobrarem fiquem superlotadas.

O deputado estadual Flávio Serafini (Psol) disse que está preocupado com a situação e vem trabalhando muito nesse início do ano na reorganização das escolas que está acontecendo no Estado do Rio de Janeiro. Foi o seu mandato, durante encontros com a Secretaria Estadual de Educação, que descobriu o número de mais de 100 escolas no Rio de Janeiro que terão turnos e turmas fechadas ou transferidas para outras unidades. “O que pode ter um impacto grande em termos de aumentar ainda mais a evasão escolar”, atesta o parlamentar.

Segundo ele, em Niterói, cerca de 12 unidades escolares do estado também serão impactadas por este processo de reorganização. “Por exemplo, o Colégio Estadual Baltazar Bernardino, em Santa Rosa, tivemos encerramento de turmas, o Colégio Estadual Brigadeiro Castrioto (Cebric), em São Lourenço, tivemos o encerramento do turno noturno, sendo que a escola estava mobilizada e conseguiu ter 200 alunos escritos em pré-matrícula, que estão tendo seus direitos negados de estudar ou serão transferidos para outras unidades mais distantes o que vai significar sem dúvidas que uma parcela destes alunos vão abandonar o banco da escola”, lamenta.

Serafini disse que acompanha de perto o assunto e que teve uma série de encontros com a secretária de Educação do Estado, mas infelizmente, ela disse que vai levar a frente este processo de reorganização da educação o que vai impactar a vida de milhares de estudante no estado do Rio de Janeiro.

“O argumento é que eles estão ampliando o número de matriculas, mas na verdade o que estão fazendo é o fechamento de turnos e turmas e agrupando com turmas maiores em menos unidades mais cheias, isso significa aumentar a distância dos alunos da escola, em alguns casos interromper o fluxo escolar onde alunos que estão no segundo ano do ensino médio terão que mudar de escolas, alunos que estão no 9º ano vão ter que mudar de escola, isso sem dúvida nenhuma vai ter um impacto para aumentar a evasão escolar num momento de crise onde deveríamos trabalhar para que as nossas crianças e os nossos adolescentes ficassem no banco de escola para ter uma perspectiva de futuro e não vemos essa ação por parte da Secretaria de Educação”, lamenta.

O deputado faz um balanço das estruturas da educação do estado em Niterói e destque que a crise é evidente. “A Uerj não tem condições de voltar a funcionar, a Faetec sequer lançou um edital para selecionar novos alunos, o Henrique Laje não vai ter novos alunos no início de 2017, primeiro vai terminar o período letivo de 2016, segundo que não lançou sequer edital, quando lançar o ano letivo já vai ter começado na maior parte das escolas, então quem vai ficar no Henrique Laje é quem já estava matriculado e não desistiu porque muitos estão desistindo e buscando outras unidades escolares e quem estava em outras escolas que pudesse ter interesse no Henrique Laje não vai poder ir porque vai começar o ano letivo depois de todas as escolas”, lamenta o deputado psolista.

O sindicato dos profissionais de educação também protestou contra a medida. “A orientação foi geral. O sindicato está recebendo informes de seus núcleos de turnos e escolas sendo fechadas. É impressionante que, um governo em frangalhos politicamente, com um ex-governador preso não muito longe daqui, e a orientação é poupar dinheiro em cima da educação” destacou Lucas Hippólito, coordenador do Sepe/RJ.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que “antes de tomar qualquer medida, estudos são promovidos para analisar a situação de cada escola, levando-se em consideração a oferta e a demanda de cada região, o quantitativo de alunos, cursos e modalidades oferecidos, turnos de funcionamento, número de salas de aula e o número de sala de aulas ociosas”.

Sobre uma possível lotação de turmas a partir da transferência de alunos para outras unidades, a secretaria destacou que “a informação de que as otimizações causaram salas superlotadas é equivocada. Nenhuma classe extrapolará o número máximo de alunos previsto na legislação vigente”.
 
Escolas com proposta de fechamento de turnos e turmas:

C.E.  Brigadeiro Castrioto (CEBRIC)
C.E. Manuel de Abreu
C.E.Baltazar Bernardino
C.E.David Capistrano
Colégio Estadual Paulo Assis Ribeiro (CEPAR)
C.E.Conselheiro Josino 
C.E. Doutor Memória
C.E. Machado de Assis
CIEP 448 – Ruy Frazão Soares
C.E. Fernando Magalhães
C.E. Maria Pereira das Neves
C.E. Cizino Soares

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