Crime de estupro contra jovem e morte de recém-nascido revoltam aldeia indígena em Maricá

Um crime de estupro, cometido pelo próprio pai da vítima, e a morte de um recém-nascido deixaram os índios da Aldeia Mata Verde Bonita, situada na Restinga de Maricá, estarrecidos na última sexta-feira (22). Policiais militares da 6ª Cia foram até a aldeia com objetivo de verificar uma denúncia de estupro de vulnerável. Ao chegarem no local apuraram que uma mulher, de idade não revelada, havia sido vítima de estupro pelo próprio pai e que o crime ocorria desde os 13 anos de idade. Na quinta-feira (21), a vítima, que havia engravidado, teria dado à luz a um bebê.

Também de acordo com informações obtidas no local, após ameaças do próprio pai, a mulher abandonou o bebê na mata da aldeia, porém a criança foi encontrada pelos próprios moradores da aldeia. O recém-nascido chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Municipal Conde Modesto Leal, no Centro, mas infelizmente faleceu. Na sexta-feira (22), uma cacique questionou os moradores sobre a maternidade do bebê e a vítima relatou que era a mãe e que o seu próprio pai teria a engravidado.

Os próprios moradores do local encontraram e imobilizaram o acusado até a chegada dos policiai. O acusado, que não teve o nome revelado, confessou o crime e foi conduzido para a 82ª DP (Maricá). Por não se tratar de uma prisão em flagrante, o acusado foi autuado, mas não permaneceu preso. Aldeia Guarani, de São José do Imbassaí, divulgou pelas redes sociais uma carta de repúdio a violência ocorrida em seu território. “Nós da aldeia Mata Verde Bonita, em São José do Imbassai, queremos mostrar nossa indignação sobre os fatos que aconteceram na nossa aldeia nos últimos dias”, enumerando os procedimentos adotados para esclarecer o fato.

 “A comunidade chocada foi atrás dele (acusado) que já estava fugindo mas os guerreiros da aldeia pegaram ele, e ele confessou o crime que cometeu e assim seguramos ele até a chegada da polícia. A cacique da aldeia foi até a delegacia prestar denúncia e ficamos indignados ao saber que o acusado não ficou preso. A comunidade não entende a decisão da justiça brasileira que deixou impune uma pessoa que cometeu um crime tão bárbaro. Na aldeia, todos estão de luto até porque nosso costume, nossa cultura, nossa maneira de ser não nos ensina assim, nós somos Tupi Guarani, e aprendemos a cuidar uns dos outros e a proteger toda a nossa comunidade”.

A carta de repúdio, assinada pela Cacica Jurema Nunes, finaliza, informado que a comunidade está se dedicando a cuidar da vítima. “Estamos buscando juntos passar por esse momento difícil para nossa comunidade. Agora queremos a justiça que ele pague por tudo que ele fez e não mais consideramos ele como Tupi Guarani”.

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