Criança cria jogo virtual de sustentabilidade

Necessidade de sobrevivência é a razão pelo qual a questão ambiental está em alta nos temas debatidos na atualidade. E quanto mais cedo for abordado com as crianças, maiores as chances de despertar a consciência pela preservação. Pensando nisso, com pequenas ações, os pais do niteroiense, Theo Correia, de 10 anos, estimularam o filho desde criança a recolher o próprio lixo e a cuidar da natureza. O resultado foi um jogo virtual criado para despertar o interesse das pessoas pela sustentabilidade, mutirões para plantar mudas e o sonho de ser cientista para mudar o planeta.

“Como pais, nós já estimulávamos ele a cuidar da natureza, não jogar lixo no chão. O mesmo que fazemos com o nosso outro filho mais novo, Benjamin. Aos pouquinhos ele também foi se interessando por animais. Ele não deixava os amiguinhos matarem formiga. Foi bem natural dele desde os 2 anos. Quando ele estava com 4 anos, levamos ele para conhecer o projeto Tamar, e lá vimos uma tartaruga que estava em recuperação após ter engolido plástico. Ela ia ser devolvida para o mar. Isso causou um impacto muito forte nele. A partir daí ele começou a querer limpar as praias. Aos fins de semana nós íamos com toda proteção para recolher os lixos abandonados indevidamente. Depois ele começou um movimento de levar essa questão para a escola, conversar com os amiguinhos sobre não deixar lixo na praia”, conta a jornalista, Priscila Correia, de 37 anos, mãe do Theo.

Conhecer o projeto e entender o quanto os animais sofriam com o descarte irregular de lixo nas praias, foi o despertar do Theo. Para comemorar seu aniversário de 10 anos, ele reuniu a família em um hotel em Petrópolis e plantou quatro árvores. Mas essa não foi a primeira vez. Antes da pandemia, Theo tinha o costume de convocar pessoas a plantar flores e plantas em parques do Rio de Janeiro e Niterói, cidade onde vive.
“Com cinco anos, ele pediu nossa ajuda para fazer um movimento maior que pudesse impactar outras crianças. Como eu tenho um blog, chamado ‘Aventuras Maternas’, eu criei um piquenique que acontecia duas vezes por ano e reuníamos cerca de 100 as crianças para plantar árvores.
Plantamos Ipês, canteiros de flores. Tudo isso no MAM, no Parque Eduardo Guinle, no Solar do Jambeiro. Só paramos na pandemia. Mas era um movimento muito importante para juntarmos todas as crianças nessa causa ambiental”, explica Priscila.

Com a Covid-19, restrições e o isolamento social, sem poder manter o contato com a natureza e fazer o trabalho que já desenvolvia com os amigos, Theo sentiu que precisava fazer mais. Aluno da escola de tecnologia para crianças, codeBuddy, Theo decidiu criar o jogo “Ciclovias Verdes” para o seu trabalho de conclusão, de uma das etapas, do curso de programação.
“Theo estava na fase de pensar no ‘Projeto X’ do semestre”, relata a mãe, Priscila. Com a missão de elaborar algo do seu interesse, Theo teve a ideia depois de assistir ao documentário ‘Greta: O Futuro é Hoje’, sobre a atuação da ativista ambiental Greta Thunberg.

“Essa foi a forma que eu encontrei de estimular às pessoas a pensarem no assunto. Como fiquei em casa durante a pandemia, senti que não podia ficar parado. O trabalho de conclusão me deu essa possibilidade e incentivo”, relata Theo.


Grande fã da Greta e engajado em causas socioambientais, o jogo criado tem como objetivo retirar o lixo das ruas e das águas, acabar com as fumaças de automóveis, eliminar robôs que desmatam e criam queimadas, e transformar indústrias poluentes em indústrias de energia limpa.

Segundo Theo, “Ciclovias Limpas” foi criado e inspirado em Niterói. Hoje, o ativista e sua família buscam ajuda para que o jogo possa se tornar acessível e todos consigam instalar no computador.
Theo deseja que o jogo possa ser jogado por outras crianças e pensa até em inserir mais fases. “Busco um patrocínio para colocar em prática essa proposta. Só tenho a agradecer a codeBuddy por ter me ajudado a tirar do papel essa ideia. Quero que as pessoas tirem esse jogo da tela para a vida real”, finaliza.
Priscila diz que, como pais, ela e o marido têm a missão de estimular o filho nas causas ambientais porque o futuro precisa ser feito agora. “O Theo é uma criança muito séria nas coisas que ele fala. A preocupação dele é muito genuína. E a nossa preocupação, como pais, também é. É a nossa missão pensar nesse presente do planeta. Não é o futuro, porque nós já estamos vivendo. Essas modificações climáticas, o aquecimento global, a poluição causada pelo homem na natureza, merecem nossa atenção. Então a gente faz de tudo para estimular o Theo e o Benjamin para que eles façam a diferença”.

E para quem acha que o interesse de Theo pelo meio ambiente é passageiro, ele garante que não. Segundo a mãe, como grande fã da ativista Greta Thunberg, o menino quer ser cientista para mudar o planeta. “Ele diz que quer ser cientista para conseguir soluções para melhorar o planeta. Mas uma área específica ele ainda não decidiu. Já disse que quer fazer vacinas, depois ele diz que quer criar soluções ambientais”.
O sonho de Theo é fazer a diferença para o planeta e principalmente, estimular outras pessoas. levar essa palavra adiante. “É justamente o que a Greta faz. Ela não faz sozinha, ela engaja milhares de pessoas ao redor do planeta com a palavra dela. Com o jogo, com outras atitudes dele, ele quer mobilizar o planeta nessa missão de mudar as atitudes de pensar nos animais e no verde”, finaliza Priscila.

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