Criam-se personagens diversos, cada um se apresenta como convém

Patricia Tavares

Existe uma fuga constante de si mesmo, uma necessidade de se criar personagens. Na verdade o que se apresenta não é o que se é…

O que acontece é sua verdadeira face, muitas vezes, ser escondida e escamoteada à custa de muito sofrimento.

Porque o sofrimento não é só admitir de verdade sua verdadeira identidade e assumir todos os prós e contras de ser quem você é, mas de se deparar com tudo aquilo que está no interior e estar “cara a cara” com você.

Usam-se personagens para representar a “vítima”, o “vilão”, o “algoz”, o “inocente”, o “culpado”, o “desestruturado”, o “superconsciente” o “certinho”, o “bom”, o “mal” e muitos outros. Escolhe-se consciente ou inconscientemente a representação que parece adequada ou mais perfeita em cada caso para conseguir escapar da raiz, do núcleo onde tudo tem sua origem. E esse núcleo, esse grande “centro” não é ninguém, além de si mesmo.

Pare de se enganar, porque quem engana os outros, ou representa com uma camuflagem, primeiro engana a si mesmo.

É preciso encontrar-se consigo mesmo e olhar, querer ver tudo o que se foge de encontrar, perceber e lidar…

O outro não é o seu maior problema; tudo que ocorre fora de você, antes de tudo, começou em algum lugar em seu interior.

A maior tomada de consciência que pode ter na vida é consigo mesmo.

Você é a única pessoa que pode alterar situações e acontecimentos em sua vida. E isso se inicia com aceitar, compreender que você e nem ninguém é “culpado”, “vítima”, “vilão”, “inocente” etc. E que a maior responsabilidade emocional, afetiva que precisa ter é com você mesmo. E a maior consciência que se pode ter é do seu Ser.

Porque, muitas vezes, a pessoa “se pinta cheia de cores” e está “cinza”. Muitas vezes, suas escolhas são completamente equivocadas, porque ela não se transforma e responsabiliza os outros.

Encarar verdades, olhar de forma clara e límpida para as realidades, parar de “tapar o sol com a peneira” e parar de dar justificativas ou encontrar personagens para todas as pessoas, inclusive para si mesmo.

Quando cada um buscar realmente a sua verdade interior, quando cada um se aceitar como é, quando cada um conseguir olhar para si mesmo, com realidade e responsabilidade, será possível uma verdadeira transformação, amadurecimento e novas vivências baseadas em sentimentos reais, em pessoas reais, e não apenas baseadas em vários equívocos, confusões e muitas ilusões.

Só enxerga de verdade quem realmente consegue ver, quem realmente quer ver…

Só enxerga de verdade quem vê além das aparências, do ego e das famosas ilusões.

O personagem não é você. Você não é o personagem.

Desvende-se, descubra-se e tenha experiências reais, interessantes, além de qualquer estereótipo ou confusões de papéis, personagens e de exigências sociais.

Seja quem realmente é, e seja mais feliz.

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