Crescimento nas vendas de bicicletas elétricas pode chegar a 34%

A Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) estima que até o final desse ano as vendas de bicicletas elétricas têm previsão de aumento de 34%, ou 43 mil unidades vendidas. A pandemia e o isolamento social estão diretamente ligados ao aumento do uso desse modal, já que permite o distanciamento social, além de diminuir a emissão de gases poluentes. Em Niterói empresários do setor também comemoram as vendas que cresceram entre 30% a 40%.

Um estudo levantado pela plataforma Moovit reuniu dados sobre o panorama do transporte público e a micromobilidade pelo planeta. De acordo com a pesquisa, no Brasil, 36% dos passageiros passaram a usar menos transporte público nesse período. O fenômeno provocou ainda o aumento da procura por transportes alternativos, como o uso de bicicletas, bicicletas elétricas, patinetes elétricos ou skates.

O empresário Cláudio Santos disse que percebe esse aumento nas vendas de bicicletas elétricas de 30% a 40%. “O niteroiense gosta de andar de bicicleta e está uma procura grande para esse tipo de modal. É um meio de transporte que garante o distanciamento social, não prejudica o meio ambiente e foge dos constantes congestionamentos”, contou. Cláudio explicou que as bikes elétricas custam de R$ 4.999 até R$ 18.900 e o custo vale a pena já que R$ 2 de energia elétrica permite o uso de 100 quilômetros. “A bateria da bicicleta é de lítio, igual do celular. Consome muito pouca energia”, completou.

Expansão da malha cicloviária

O aumento das vendas de bicicletas elétricas vem em um cenário onde Niterói amplia a expansão das ciclovias pela cidade. A Região Oceânica é considerada uma espécie de “menina dos olhos” desse projeto por ter a previsão de contar com 60 quilômetros, ao todo, de ciclovia.

Em junho, a prefeitura iniciou a primeira etapa do projeto, que prevê a construção de 21 quilômetros no trecho entre a prainha de Piratininga até a rotatória da entrada de Camboinhas, passando por toda a orla de Piratininga e a Avenida Acúrcio Torres. A Avenida Irene Lopes Sodré, no Engenho do Mato, também será beneficiada nesta fase de intervenções. 

Mas a Região Oceânica não é a única área de Niterói que pode ser beneficiada pela expansão de ciclovias. Isso porque a Prefeitura de Niterói anunciou, na terça-feira (13), que vai requalificar um trecho de 2,3 quilômetros ao longo de toda a Avenida Quintino Bocaiúva, em São Francisco (que está sendo recapeada), e da Avenida Silvio Picanço, em Charitas. Todo o trajeto também receberá nova sinalização.

Economia de quase R$ 400 mensais

Morador do Fonseca, na Zona Norte de Niterói, Bruno Tadeu Braga explica que resolveu optar pela bicicleta elétrica para fugir dos engarrafamentos. Trabalhando em São Gonçalo, ele explica que o uso desse transporte dava uma economia que chegava a até R$ 400 por mês.

“Eu resolvi comprar uma bicicleta elétrica para fugir do engarrafamento enquanto eu me deslocava ao trabalho. Pegava uma rota alternativa, pela Dr. March, no Barreto, e chegava em pouco tempo. Mesmo a velocidade máxima sendo de 30 km/h, se eu fosse de ônibus perderia muito tempo no trânsito. Com a bicicleta elétrica, eu fugia do engarrafamento numa boa, sem precisar me arriscar, mesmo não tendo uma área para ciclovias. Por mês, eu tinha uma economia de R$ 300 com passagem e de até R$ 400 de gasolina, pois eu também tenho moto e muitas vezes usava este veículo no deslocamento”, conta Bruno.

Mas apesar do crescimento das vendas, há quem não abre mão da pedalada tradicional. É o caso de Carolina Loureiro, moradora de Icaraí. Ela explica que até poderia usar um modelo elétrico, mas prefere usar a bicicleta convencional por uma questão de saúde.

“A única vantagem que eu vejo da bicicleta elétrica é em uma situação onde, por exemplo, tenho que ir com uma roupa mais formal, algo social, como uma reunião de trabalho. Mas de forma geral, não quero porque acabaria usando sem pedalar. A bicicleta convencional tonifica os músculos, auxilia na circulação sanguínea e ajuda a conservar minha forma. Sem contar que eu tive trombose na perna esquerda. E como eu tenho tendência a ter novamente, mais do que quem nunca teve, então prefiro seguir com minha bicicleta comum. Até minha mãe me ofereceu uma elétrica de presente, mas como tenho medo de ficar acomodada, recusei”, explica Carolina.

Raquel Morais e Gabriel Gontijo