Cresce o reaproveitamento de objetos jogados fora

Raquel Morais

Do lixo ao luxo. Assim muitos ‘garimpeiros’ de Niterói e São Gonçalo definem a prática ou a mania de aproveitar o que é descartado diariamente. Para quem é apaixonado por trabalho manuais e autorais, o lixo nem deveria ser chamado assim. Para essas pessoas a reciclagem vai muito além de garrafas plásticas e latinhas. Eles estão em busca de móveis, eletrodomésticos e objetos decorativos que ‘com apenas uma lixadinha’ ganham cara de novo.

A produtora cultural Natasha Laux Fajardo exibe para todo mundo que vai no seu apartamento o espelho que ela achou no lixo e restaurou.

“Eu comecei a pegar as coisas que via no lixo quando morava em Icaraí e a gente  tinha um sítio. Em Icaraí tem sempre coisas boas e muita coisa a gente reforma. Os espelhos eu lixei, pintei, comprei o couro e fiz tudo. A única coisa que não fiz foi o reparo do espelho mesmo. Eu não vejo como lixo e eu consigo chocar as pessoas falando que era lixo. Isso faz as pessoas pensarem. Já mudei cadeiras e janelas, por exemplo. Eu uma vez peguei uma mesa reformei e até vendi nas minhas redes sociais. Me dá prazer ver o objeto feio e destruído e ver a mudança. Aproveitar tudo e me dá um prazer mesmo além de dar vida útil”, orgulha-se.

Jandira Magno de Campos, de 62 anos, sabe muito bem o valor do reaproveitamento dos materiais e a sua ‘mania’ de pegar lixo já é conhecida entre os amigos e familiares.

“Tenho sofá e cadeira que eu recuperei e aproveitei. Eu não tenho vergonha e tem amigo que me liga para me avisar que tem alguma coisa boa no lixo. Isso é sustentável e as pessoas têm mania de jogar coisas fora o que estão em ótimo estado. Eu tenho um bistrô que tem essa pegada de acolhimento, de aconchego e de reaproveitamento. Fiz em homenagem para a minha mãe. Hoje em dia eu fico muito feliz em contar essa história e levar essa minha essência de respeitar o meio ambiente e reaproveitar as coisas para as pessoas”, contou a moradora do Engenho Pequeno.

Já o técnico em edificações Josiel Ribeiro de Barros, de 40 anos, gosta mesmo é de garimpar os achados na rua e transformá-los. Com ele uma pia nunca será uma pia e um sofá nunca será um sofá.

“Eu mesmo faço algumas adaptações. Peguei um sofá cama e transformei em uma estante com um oratório. Já achei uma mesa de centro no lixo e acoplei o meu cooktop e virou uma bancada. Além disso muita madeira de lixo eu trato e faço mesas com paletes e uma pia de banheiro que será uma luminária que também estava no lixo. Eu gosto de consertar e gosto de transformar”, contou.


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