Cresce número de mulheres tatuadoras no Brasil

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que nos estúdios de tatuagem em todo o Brasil, 45% dos profissionais são mulheres. A estimativa é que esse percentual aumente ainda mais com as campanhas de empoderamento feminino. Dedicação, calma, firmeza e até delicadeza nos traços são algumas das características que fazem as pessoas procurarem as mulheres na hora da tatuagem. Em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí não faltam exemplos dessas artistas.

Kamylla Araújo, 29 anos, é tatuadora fixa do estúdio The Ink Shop, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói, e se profissionalizou há cinco anos. Ela afirma perceber uma mudança no comportamento das pessoas em relação a presença feminina nos estúdios de tatuagens.

“Na época que comecei a tatuar o dono do estúdio achou muito legal ter uma mulher no quadro de funcionários. O preconceito existe através de um olhar de desconfiança. Algumas pessoas também acham que eu sou funcionária administrativa do estúdio. Eu acho engraçado e foco na qualidade do trabalho”, contou.

O mesmo acontece com a colega de profissão, que também trabalha na Zona Sul, Mariana AX, de 23 anos, do estúdio 4Tattoo. A empresa tem como característica a valorização da mulher, que representa um terço de toda equipe, sendo três tatuadoras e duas body pierces (profissionais de perfuração corporal, aplicadores de piercing).

“Eu admirava muito a arte, mas achava que não era para mim porque não sabia desenhar, com técnicas. Sempre quis trabalhar com algo que eu gostasse de verdade, então já trabalhei como freelancer em fotografia por um tempo, e estudava. Estava na faculdade de publicidade e propaganda, quando decidi que me dedicaria totalmente à tatuagem. Então concluí o curso, e me foquei mais na profissão”, contou a tatuadora que tem 25 tattoos no próprio corpo.

A tatuadora de Itaboraí, Patricia Modesto, de 30 anos anos, também contou que passa até hoje por situações constrangedoras.

“Nunca fizeram nenhum comentário preconceituoso por eu ser mulher diretamente, mas percebo que às vezes alguns clientes preferem fazer o trabalho com um dos meninos a fazer comigo, então de certo modo, é desconfortável, sim”, frisou.

A médica Kalyne Sampaio, 45 anos, tem seis tatuagens e está em processo de finalização da sétima obra de arte no braço.

“Eu quero fechar o braço com tatuagem e antigamente existia muito preconceito nas mulheres tatuadas e hoje eu vejo que isso está diminuindo. Eu sou médica e tenho tatuagens e não vejo mais esse preconceito hoje em dia, mas antigamente era diferente. O mesmo acontece com as meninas que tatuam. Acho que a gente deve se unir e valorizar as mulheres”, finalizou a pediatra.

Nesse contexto o Estúdio Marthattoo, em Itaipu, na Região Oceânica, virou símbolo da conquista das mulheres que conseguiram ocupar espaço no mercado de trabalho. É dirigido pela tatuadora Martha Alves, 48 anos, que tem 10 anos de experiência. Junto com Liz Fachetti, 21 anos, Ísis Santiago, 19 anos, e Maria Clara Marmo, 19 anos, que juntas conseguem executar a proposta do empreendimento: respeito e excelência no traço e atendimento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

sete + um =