Covid-19: Niterói e São Gonçalo seguem tendência do aumento de casos e óbitos

Alan Bittencourt

O aumento dos casos de Covid-19 em todo o país acendeu o sinal de alerta na última semana. No Estado do Rio de Janeiro, 358 pessoas aguardavam por uma transferência para leitos no sistema de saúde. Na sexta-feira (27), a taxa de ocupação dos leitos de UTI da rede estadual destinados à Covid-19 era de 80%, enquanto as enfermarias chegaram a 51%. Niterói e São Gonçalo, juntas, tiveram 1.387 casos em apenas cinco dias.

Niterói, que se destacou pelo combate à pandemia, tendo inclusive sendo reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) pelo trabalho realizado, não vê com alarde o aumento dos números de casos e mortes no município.

“A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Niterói informa que monitora os indicadores e que está em constante avaliação para identificar se há uma tendência de crescimento do número de casos e internações de Covid-19 ou se o aumento é momentâneo. Até o momento não há confirmação de uma tendência no aumento, o que caracterizaria uma segunda onda. A média de ocupação de leitos públicos em Niterói é de cerca de 40%. A rede pública do município possui capacidade total de 260 leitos exclusivos para pacientes com Covid-19. A assessoria técnica do Plano de Transição está se reunindo com os setores e reforçando o cumprimento dos protocolos. A prefeitura retomou a sanitização nas ruas da cidade, além da distribuição de máscaras e da circulação de carros de som para comunicação direta com a população.”, disse em nota.

Entre as últimas segunda e sexta-feira, Niterói registrou 542 casos, uma média de 108,8 casos diários. A vizinha São Gonçalo, que adotou medidas mais rígidas no combate até a sexta-feira (27), registrou 845 casos no mesmo período, uma média de 169 por dia.

O número de óbitos em Niterói também registrou aumento em cinco dias: foram oito, uma média de 1,6 por dia. Em São Gonçalo foram computadas 20 mortes em cinco dias, uma média de 4 por dia.

O Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Niterói e São Gonçalo (Sindhleste) informou que, até a última quarta-feira (25), a cidade de Niterói estava com 239 quartos (79%) reservados para pacientes com Covid ocupados. Já os leitos de UTI tinha uma ocupação de 60%, somando 167 no total.

No município gonçalense 40 quartos exclusivos para a doença estavam ocupados por pacientes, o que corresponde a 45% do total. Em relação aos leitos, a ocupação passa da metade (53%) dos 36 quartos disponíveis.


Estado
Em todo o Estado, a situação é de uma tendência de aumento tanto dos casos como de óbitos. Das 358 pessoas que aguardavam para ser internadas, 207 devem ser transferidos para enfermarias e 151 para unidades de terapia intensiva (UTI).

A rede estadual de Saúde computava uma taxa de ocupação dos leitos de UTI destinados a pacientes com a doença era de 80%, enquanto as enfermarias chegavam a 51%. Analisando apenas a capital e os municípios da Baixada Fluminense, a taxa de ocupação atingiu 92%, levando-se em conta unidades de saúde municipais, estaduais e federais. Eram 301 pacientes aguardando transferência para leitos no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, sendo 120 de UTI.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, a fila de espera por leitos ocorre porque, para pacientes com comorbidades, a Central Estadual de Regulação busca vagas que contemplem todas as suas necessidades clínicas, garantindo a assistência especializada a cada caso.

Taxa de letalidade – Nesta semana, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou o Boletim Observatório Covid-19, que apontou, segundo a instituição, “uma piora expressiva” da taxa de letalidade da Covid-19 no Estado do Rio de Janeiro, que chegou a 6,4%. Em outros estados, a letalidade é entre 2% e 3%.

“Esse valor é considerado alto em relação a outros estados e aos padrões mundiais, à medida que se aperfeiçoam as capacidades de diagnóstico e de tratamento oportuno da doença, o que revela graves falhas no sistema de atenção e vigilância em saúde”, disse a equipe multidisciplinar da Fiocruz.

O coordenador do Sistema Monitora Covid-19 da Fiocruz, Christovam Barcellos, explicou que a letalidade é uma taxa calculada, que utiliza o número de casos confirmados da Covid e o número de óbitos causados por ela. O indicador, segundo o especialista, depende da realização de testes e diagnósticos para se aproximar da realidade.

“O que pode estar acontecendo no Rio de Janeiro é uma falha no diagnóstico do caso, enquanto o diagnóstico do óbito pode ainda estar sendo bem feito. É importante a população saber que não significa que se você pegar a doença, você tem mais chances de morrer. A taxa aponta falhas no sistema de saúde, e não que os casos do Rio de Janeiro sejam mais graves”, esclareceu.

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