Covid-19 não é mais a principal causa de mortes no Brasil

Dados dos cartórios de registro civil, da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen Brasil), apontam que a infecção da Covid-19 não é mais a principal causa de morte no Brasil. A queda se dá pelo avanço da vacinação contra o vírus e agora lideram o ranking as doenças cardiovasculares: AVC, Infarto, Causas cardíacas inespecíficas e em quarto lugar na análise da segunda quinzena de outubro desse ano.

No Rio de Janeiro, no comparativo do mês de outubro de 2020 com o desse ano, a queda foi de 35,36%, enquanto ano passado foram 1.801 óbitos por Covid-19, esse ano foram 1.164 registros. Na média móvel o número de óbitos também tem diminuído dia após dia. No dia 18 de novembro a média estava em 9, no dia 17 estava em 10 e no dia 16 em 11, por exemplo. Comparado com o ano passado, no dia 18 de novembro de 2020 a média chegou aos 75 por dia.

Em uma análise da Arpen Brasil, entre 16 e 31 de outubro o país registrou 4.220 óbitos por AVC, 4.176 por Infarto, 4.107 por causas cardíacas inespecíficas e 3.605 por Covid-19. Mas de acordo com a Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), em Niterói, desde o início do ano, o dia 19 de abril foi o dia de maior pico por morte de Covid-19. Mas desde o dia 19 de setembro que esse índice só vem diminuindo chegando a zerar na última quinta-feira (18). O mesmo acontece em São Gonçalo, quando o pico por morte de Covid-10 foi no dia 28 de março. Mas desde o dia 24 de setembro que os números só caem. No dia 18 de novembro, também em na semana passada, não foi registrado nem um óbito pelo coronavírus.

As prefeituras de Niterói e São Gonçalo foram questionadas sobre esse aumento da morte de doenças relacionadas as doenças cardiovasculares e se existe uma listagem das doenças mais comuns em tratamento ultimamente, como é feito o serviço de marcação de consulta no município (desde o local que a pessoa tem que ir até quais os documentos necessários). Mas sobre essas questões as administrações municipais não se manifestaram até o fechamento dessa edição.

“As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte em países desenvolvidos e agora após a pandemia, estão voltando ao normal do que sempre houve – as causas não infecciosas. É importante destacar o papel das consultas de rotina para avaliação de doenças de base como hipertensão, diabetes e as suas complicações. A Covid-19 causou grandes números de morte com pessoas associadas à essas doenças de base, por isso neste momento em que a Covid está se dissipando elas estão se destacando novamente, pois outrora estavam subnotificadas”, detalhou a médica generalista Dr. Ana Sodré.

Para entender como funciona o sistema de marcação de consultas em Niterói, a reportagem de A TRIBUNA ligou para a Policlínica Comunitária Dr. Renato Silva, que fica na Engenhoca. Foi informado que qualquer especialidade para ser marcado o atendimento precisa passar pelo clínico geral. A agenda do clínico é montada de dois em dois meses. A reportagem foi informada que no dia 28 de dezembro a agenda vai ser aberta e as marcações serão feitas para janeiro e fevereiro. Depois disso, se o clínico geral der o encaminhamento, haverá uma nova marcação para a especialidade sugerida.

AGILIDADE É FUNDAMENTAL

Em alguns casos, a espera pode ser fatal, e a agilidade para consulta e posterior tratamento, em algumas doenças é fundamental. Por exemplo, quem tem problema renal e precisa de tratamento de hemodiálise muitas vezes fazem os procedimentos enquanto aguardam na fila para transplante. O Programa Estadual de Transplantes (PET), vinculado a Secretaria de Estado de Saúde do Governo do Estado do Rio de Janeiro, não respondeu à demanda sobre a lista dos órgãos que tem mais pessoas no aguardo.

Mas enquanto isso o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, é referência na captação de órgãos do estado. A direção confirma que cerca de 80% das famílias, atualmente, autorizam a retirada de órgãos, tecidos e ossos para transplante. Ainda de acordo com a direção em 2011, 10 anos atrás, esse percentual era de 30%.

No local existe um Jardim do Doador criado com objetivo de representar a coragem da família pela escolha da doação, é plantada uma muda de jasmim, que significa o órgão vivo que foi transplantado no receptor, que vai crescer e perfumar o ambiente. Segundo Heat uma força-tarefa é montada no hospital nos dias de captação. Quando um potencial doador é identificado e a equipe médica visualiza a doação de órgãos cuja captação e transporte tem que ser feito em até quatro horas, como o coração, a equipe da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) aciona a Central Estadual de Transplantes, que envia helicóptero e até batedores da Polícia Militar para que o paciente que está do outro lado receba o transplante no tempo certo.

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