Covid-19 – Cientistas opinam que Niterói pode abrir mão das máscaras

Após o decreto que libera o uso de máscaras de proteção na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito de Niterói, Axel Grael (PDT), vai se reunir, nesta sexta-feira (11) com os membros do Comitê científico da cidade e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde, para avaliar a obrigatoriedade ou não do uso de máscaras nos espaços públicos do município. Entre outros fatores, será discutida a curva de contaminação do coronavírus nos últimos dias.

De acordo com o último Boletim Epidemiológico, o município de Niterói apresentou taxa de 5% de testes positivos para Covid-19 na semana de 20 a 26/02, seguindo em queda. No início do mês de janeiro, por conta da variante Ômicron, a cidade chegou a apresentar taxa de 50% de testes positivos para a doença.

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) observa a estabilização da doença e acredita que a cidade sorriso deverá seguir o modelo do Rio pela semelhança dos indicadores. O presidente da entidade, Dr. Alberto Chebabo, faz parte do Comitê Cientifico da Prefeitura do Rio e afirma que o mesmo deve acontecer em Niterói.

“A cidade de Niterói tem os indicadores semelhantes aos do Rio, que são poucos casos da Covid-19, alta cobertura vacinal, taxa de transmissão e positividade baixa e pouca circulação do vírus. A obrigatoriedade do uso da máscara é desnecessária e as pessoas vão se adaptando à nova realidade. Abandonar o hábito da máscara pode ser mais difícil, mas aos poucos as pessoas vão se sentindo à vontade. O importante é que a não obrigatoriedade não significa que em alguns casos não seja necessário”, contou o também diretor do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).

A recomendação do uso da máscara também foi apontada pelo infectologista Dr. Edimilson Migowski, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj). “Acho que chegou a hora da gente abrir mão da máscara de forma obrigatória. Temos a redução dos índices epimediológicos e também a ineficácia do uso da máscara de forma inapropriada. A máscara de pano, muito usada pelas pessoas, não mostra eficácia de proteção. Se duas pessoas estiverem em um ambiente fechado com máscaras de pano, e uma pessoa estiver contaminada, em meia hora a outra pessoa já estará contaminada”, frisou.

Migowski contou ainda que nesse momento de não obrigatoriedade do uso do equipamento de proteção, a população tem que ter conscientização e preocupação com o próximo. “As pessoas devem entender que o uso da máscara é recomendado para quem está infectado. Nesses casos as pessoas devem usar a máscara e fazer o isolamento social. Mas isso requer conscientização das pessoas. Se em dois anos de pandemia a pessoa não se conscientizou, não fará nunca na vida”, completou o membro do Comitê Científico do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A especialista em Epidemiologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Dra. Ana Sodré, contou ainda que foi alcançada a imunidade de rebanho e isso propicia a liberação das máscaras. “Baseada nas evidências científicas, na queda no número de casos, internações e óbitos relativos a pandemia e a infecção pelo coronavírus; pelo fato de outros países onde a cobertura vacinal estão alcançando níveis satisfatórios da redução da pandemia. Baseada nesses dados eu indico que é de bom tom o relaxamento das medidas mais restritivas aconteça entre elas o retorno de atividades presenciais e a abolição do uso da máscara”, finalizou.

DECRETOS

Na semana passada, um decreto publicado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro estabeleceu que os municípios seriam responsáveis pela flexibilização do uso de máscara em lugares fechados. Os gestores municipais que deverão liberar ou não o uso do equipamento de proteção individual.

Foi publicado no Diário Oficial do Rio, no último dia 7, um decreto que desobriga o uso de máscaras faciais para o acesso e a permanência de indivíduos nas dependências nos estabelecimentos industriais, comerciais e de prestação de serviços; bem como os órgãos públicos municipais e os demais locais, ambientes e veículos de uso público restrito ou controlado. O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, acredita que não foi uma decisão precipitada. “(…) A gente tem indicadores epidemiológicos que dão muita segurança para essa decisão”, finalizou.

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