Corrida pelo gás veicular

Raquel Morais –

O Sistema de Levantamento de Preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontou que nas últimas quatro semanas o valor da gasolina variou 10,87% em Niterói. O preço máximo desse combustível saltou de R$ 4,099 para R$ 4,559 entre a primeira semana de julho e a semana passada. O valor médio do combustível na cidade, que atualmente está em R$ 4,133, também teve alta de 9,22%, quando no início de julho estava em R$ 3,784. Instabilidade nos valores, confiança do consumidor no combustível e custo-benefício em relação a quilômetros rodados são alguns dos motivos que estão contribuindo para o aumento na procura pelo Kit Gás, e comerciantes do setor comemoram a alta nas vendas.

De acordo com a mesma pesquisa, o GNV na cidade tem preço médio de R$ 2,174 o metro cúbico (m³). Hoje um motorista que tem um cilindro de 16m³ tem possibilidade de andar cerca de 200 quilômetros com gasto de R$ 34,78. Para percorrer a mesma quilometragem com gasolina, levando em consideração um consumo média de 10 km por litro, o motorista teria que desembolsar R$ 82,66 (referentes a 20 litros). A economia é de 137,66%, ou R$ 47,88.

O motorista do Uber Cristiano Picoreli, de 29 anos, disse ter um Línea com GNV há um ano e acha muito vantajoso usar esse combustível, principalmente pela sua profissão. “Ando cerca de quatrocentos quilômetros por dia e se fosse fazer isso na gasolina iria ser muito caro e não valeria a pena trabalhar”, comentou.

Para o mecânico de aeronaves Anderson Guimarães, de 36 anos, o custo-benefício do GNV é válido, sem contar o desconto no valor do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). “Chego a economizar 50% no final do mês só com a mudança do combustível. O meu carro instalei o kit da quinta geração e não sinto diferença nenhuma. Não perde a força e não prejudica o motor”, resumiu.

E quem pensa em entrar nesse ciclo de economia tem que desembolsar uma grana extra, cujo investimento será recompensado a médio prazo. O técnico em instalação de GNV, Jefferson Condino, disse que é importante pesquisar qual tipo de kit instalar, o de terceira geração ou o de quinta, mais moderno. “A diferença é que o de quinta é injetado, é como uma injeção eletrônica, muito mais sofisticado. O carro trabalha como se esse combustível fosse original”, explicou o funcionário de uma instaladora de GNV no bairro de São Lourenço, que apontou 50% a mais nas vendas das peças nas últimas semanas. O preço dos kits variam de acordo com o tamanho do cilindro. Os de terceira geração custam entre R$ 1.900 a R$ 2.800 e o de quinta geração entre R$ 3 mil e R$ 4.500.

“Percebemos uma procura maior depois das operações de fiscalizações da gasolina. Mas na verdade esse aumento para a nossa empresa é uma retomada dos áureos tempos de vendas. Consideramos que voltamos a vender como antes, com cerca de 25 instalações por semana”, apontou Márcio Mendonça, um dos sócios de uma loja de gás no Centro de Niterói.

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