Corpo de Jorge Picciani é sepultado no Rio

Foi sepultado, na manhãdeste sábado (15), o corpo do ex-deputado estadual Jorge Picciani (MDB), morto na sexta-feira (14), após complicações de um câncer. A cerimônia aconteceu no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste da Capital, enquanto o velório foi no saguão Getúlio Vargas, entrada principal do Palácio Tiradentes.

André Ceciliano, atual presidente da Alerj, prestou condolências à família e falou sobre o legado de Picciani ao Legislativo estadual: “Desejo aos familiares força, que Deus possa abençoá-los neste momento de dor. Jorge Picciani deixou uma marca muito forte aqui na Assembleia Legislativa. Ele tinha o respeito dos deputados, porque cumpria com a palavra empenhada. A imagem que fica é de um homem que tinha muita credibilidade no meio político. Deixa uma lacuna na política fluminense”, declarou.

Para o governador Claudio Castro, que esteve presente ao velório, Picciani ajudou a transformar o estado. “Picciani deixou um legado, participou de muitas transformações estruturais que o Rio de Janeiro teve. O estado perde um grande político. Temos que olhar sempre para o que as pessoas deixaram, e em todos os mandatos dele aqui na Alerj deixou muito trabalho em prol do estado”, destacou.

Biografia

Jorge Picciani, em quase 30 anos na Alerj, colecionou escândalos de corrupção e se notabilizou por ser um grande articulador. Ele foi eleito pela primeira vez em 1990, assumiu o cargo de deputado estadual em 1991, ficando até 2011. Retornando ao posto em 2015, ficou no cargo até 2019.

Em março de 2019, o Tribunal Regional Federal (TRF2), por meio da primeira Seção Especializada, condenou Jorge Picciani, e outros dois deputados estaduais do MDB, Paulo Melo e Edson Albertassi, por crimes investigados na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato. Cinco desembargadores votaram pela condenação e nenhum contra.

Na época, Picciani foi beneficiado com a prisão domiciliar, após alegar problemas de saúde. “Picciani, Paulo Melo e Albertassi se aproveitaram de sua condição de deputados estaduais para obter benefícios pessoais. Todos os três tinham poder para frear os crimes cometidos pelo ex-governador Sérgio Cabral, mas nada fizeram, pelo contrário, blindaram o político de investigações na Alerj. Fica claro que a presente organização é muito maior do que o que vemos aqui”, acrescentou o revisor do processo, o desembargador Messod Azulay.

Em novembro de 2018, Picciani foi alvo de outra operação, a Furna da Onça. A operação investigava ele e outros parlamentares da Alerj em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada, principalmente no Detran, em desdobramento da Cadeia Velha. De acordo com as investigações, a propina resultava do sobrepreço de contratos estaduais e federais. Além do ex-governador Sérgio Cabral, tinham função de comando na organização investigada os ex-presidentes da Alerj Jorge Picciani e Paulo Melo, presos antes na Operação Cadeia Velha e com novas ordens de prisão na Furna da Onça.

Picciani ficou afastado da Alerj por quatro anos, entre 2011 e 2015, após uma candidatura frustrada ao Senado, na qual teve o apoio de Cabral. Ele é pai de Leonardo e Rafael Picciani, que também seguiram na carreira política. Outro filho, Felipe Picciani, acusado de participar em negócios ilícitos com o pai, também já foi preso.

Leonardo Picciani, que foi deputado federal pelo Rio de Janeiro, entre 2003 e 2019, e chegou a ser ministro dos Esportes no Governo Temer, tentou a reeleição em 2018, mas foi derrotado, ficando como quarto suplente. Já Rafael, que esteve na Alerj até 2019, optou por não concorrer à reeleição, após os escândalos de corrupção envolvendo a família.

Luto de três dias – A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) lamentou profundamente a morte do ex-deputado Jorge Picciani na madrugada de sexta-feira (14), aos 66 anos, vítima de um câncer na bexiga contra o qual lutava há vários anos. A Casa decretou luto de três dias em homenagem à memória de um dos mais importantes políticos da história recente do Parlamento fluminense.

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