Cores em bengalas ajudam a identificar tipos de deficiências visuais

Raquel Morais –

A dificuldade de enxergar não prejudica apenas o dia a dia de milhares de pessoas que possuem alguma deficiência visual. A falta de informação, mais uma vez, contribui para agravar essa situação, o que pode gerar muito constrangimento para quem está com a chamada ‘baixa visão’. É nesse contexto que o Movimento Bengala Verde quer espalhar conhecimento para as pessoas: você sabia que existem dois tipos de bengalas articuladas para os deficientes visuais? Sim, elas existem para identificar os usuários desse apoio: a prata é usada por quem é completamente cego e a verde para quem tem baixa visão.

Segundo Censo Demográfico do IBGE de 2010, em Niterói 1.448 pessoas são completamente cegas, 12.133 possuem uma deficiência com grande dificuldade de enxergar e 63.682 sentem alguma dificuldade. O aposentado Roberto Sampaio, de 48 anos, faz parte dessa triste estatística pois é cego de uma vista e com baixa visão na outra, e utiliza a bengala verde para caminhar pelas ruas de Niterói. Mas essa seria uma história comum se ele não sofresse preconceito, por exemplo, ao andar de ônibus.

“Eu entro em um coletivo e alguma pessoa me cede um lugar. Se eu pegar meu telefone celular para tentar ver alguma mensagem ou telefonar para alguém, com certeza vou escutar alguma ‘piada’. As pessoas xingam e já me chamaram de safado que eu estava fingindo ser cego para ganhar lugar no ônibus. Isso é uma falta de conhecimento pois eu enxergo algum vulto com a luz do celular para discar. Eu fico triste e acuado com medo dessas reações”, comentou.

O oftalmologista Rodrigo Pegado, especialista em retina, explicou o movimento e a sua importância para a distinção dos deficientes visuais. “O Bengala Verde foi criado nos anos 90 por uma argentina para trazer a ideia para essa diferenciação. Essa baixa visão pode ser causada por doenças retinianas e de nervo óptico, por exemplo. É muito importante essa diferenciação para distinguir e foi escolhida a cor verde por conta da esperança desse paciente ter a visão normal um dia”, explicou o diretor da Clinop.

A terapeuta ocupacional da Associação Fluminense de Amparo ao Cego (Afac), Patrícia Valesca, de 48 anos, também chamou atenção para essa causa. “Quanto mais pessoas souberem disso melhor é a qualidade de vida de quem faz uso desse equipamento. Ouço muitos relatos de pessoas que passam o que o Roberto passa diariamente”, frisou.

2 - MICHELE COSTA (4)
A também terapeuta Michelle Costa, de 38 anos, também lamenta essa falta de informação. “Nós trabalhamos muito essas questões psicológicas e emocionais e todos os detalhes estão atrelados para o desenvolvimento de quem está com a visão prejudicada”, completou.
O movimento Bengala Verde foi iniciado na Argentina em 1996 pela professora de educação especial Perla Mayo, no Centro Mayo de Baja Visión, localizado em Buenos Aires. A ideia era justamente diferenciar as duas bengalas e facilitar o entendimento das pessoas sobre a baixa visão e a cegueira, evitando constrangimentos.

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