Consumo e venda de remédios para ansiedade aumentam durante a pandemia

Empresas farmacêuticas e especialistas apontam o aumento do consumo de remédios para ansiedade, insônia e calmantes durante o período da pandemia do coronavírus. Após mais de 100 dias de isolamento social e muitos questionamentos sobre o futuro, que ainda é incerto, o uso de medicamentos controlados e fitoterápicos cresceu entre 10% e 60% em relação ao ano passado. Mas esse comportamento deve ter cuidado redobrado visto os malefícios que esses compostos podem ocasionar em um uso prolongado.

Em uma farmácia no Centro, os balconistas perceberam um aumento nas vendas de 10% nos remédios para ansiedade que precisam de receita como Fluoxetina, Bromazepam e Alprazolam, por exemplo. Já na categoria dos fitoterápicos, que não precisam da receita, o crescimento nas vendas chega aos 20% no comparativo com o mesmo período do ano passado (março, abril, maio e junho). Entre os queridinhos estão o Seakalm, Valeriana e Pasalix, por exemplo.

“As pessoas estão procurando mais os remédios para conseguirem aguentar os reflexos da pandemia. Tem que ter cuidado com o uso indiscriminado de medicamentos, pois eles podem causar dependência em um uso prolongado. Algumas vezes nem reagem mais no organismo”, explicou a farmacêutica Nathália Queiroz.

Dados da sul-africana Aspen Pharma, que representa o fitoterápico Calman, apontam aumento de quase 60% nas vendas no comparativo ao mesmo período do ano passado. Além disso, um levantamento do Google mostra que a palavra insônia foi a mais usada nos últimos tempos para pesquisa, além de aumento de 130% de tratamentos onlines para esse problema. Para o filósofo e psicanalista Fabiano de Abreu, o controle da ansiedade e da síndrome do pânico pode ser feito sem remédio e através da inteligência emocional.

“O pânico e suas consequências, como em qualquer outro comportamento, depende das nuances e do tamanho de sua potência. A crise de pânico é um episódio de medo e a sua intensidade varia de acordo com o tamanho das circunstâncias para o tamanho do seu medo. A inteligência emocional é como denominamos a capacidade de manter o equilíbrio entre a razão e a emoção. Quando a emoção está fora de controle, perdemos a razão e, então, deixamos de ter a racionalidade e começamos a agir de uma maneira que nós mesmos em sã consciência, na razão, não aprovaríamos”, explicou.

A nutricionista Fernanda Pinto, de 33 anos, sabe bem o que é encarar os sintomas das crises de ansiedade que desenvolveu nos últimos meses.

“Eu fui ficando angustiada e com uma sensação de medo inexplicável. Isso começou a acontecer depois que eu comecei a ficar muito imersa nos assuntos da pandemia e não consegui administrar o medo de uma possível contaminação. Até eu entender o que estava acontecendo eu quase fui para o hospital pois achei que estava infartando. Meu marido conseguiu me acalmar e eu comprei um remédio para acalmar fitoterápico. Me ajudou muito e é quase uma relação de dependência, pois eu fico tranquila só de saber que ele está dentro da minha bolsa”, explicou.

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