Consumo de cabeça de peixe aumenta em Niterói

Na mesma onda do aumento do consumo de subprodutos – que antes eram doados por açougues e abatedouros como pés, pescoços e dorso de frango, além de ossos bovinos – comerciantes estão percebendo o mesmo fenômeno no que se refere ao pescado. As cabeças de peixes, que são comercializadas por preços baixos, tiveram aumento na procura em torno de 40% a 50%. Esse percentual é indicado por comerciantes do setor.

O comerciante de uma peixaria, Edson Martins, disse que percebeu o aumento de 40% na venda das cabeças de peixes. Ele comercializa uma por R$ 5 ou três por R$ 10 e cada uma pesa mais de um quilo e pode ser de vários peixes. Mas se o peixe for um cherne a cabeça custa R$ 15 o quilo. “Desde o ano passado, percebemos um aumento nessas vendas. As pessoas compram para tirar a carne e fazer sopa, caldo, pirão e até bolinhos de peixe”, contou.

A retração econômica pode estar ligada a esse crescimento. O peixeiro Adilson Rangel disse que há uns anos as cabeças dos peixes grandes eram dadas para as pessoas que pedissem. Ele disse também que o aumento nessas vendas foi de cerca de 50%, sendo uma R$ 4 ou três por R$ 10.

“Eu tiro toda a carne da cabeça e faço com ovo. Como um omelete. É uma proteína boa e que ainda está acessível em tempo de tanta crise financeira. Ainda tenho que agradecer de ter um ovo para comer”, frisou uma niteroiense que não quis se identificar.

O colega de profissão, Vitor Fabrício, que também trabalha em uma peixaria no Centro, disse que comercializa por R$ 10 o quilo. “As pessoas estão reclamando do preço da carne, da luz, do gás, do combustível e de tudo de uma maneira geral”, frisou.

O diretor da Associação dos Comerciantes e Amigos do Mercado de Peixe São Pedro, Atílio Guglielmo, acredita que essa alta pode não estar relacionada com a crise sanitária e com a retração econômica, mas não descarta essas possibilidades. “A venda das cabeças sempre esteve atrelada com a venda casada de outro peixe. A pessoa comprava uma corvina e comprava uma cabeça de salmão para fazer um pirão. Mas esse consumo pode ter mudado e é uma realidade preocupante”, salientou.

O economista e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), Gilberto Braga, explicou que cabeças e rabos de peixes eram dispensados, inclusive muito comum em feiras livres, comumente. “O fato de virar um produto econômico é consequência desse momento de inflação elevada e da necessidade das pessoas, de baixo poder aquisitivo, buscarem algum tipo de proteína para complementar a alimentação. Essas partes podem ser usadas em sopas ou misturados com outros ingredientes. De alguma maneira se tenta amenizar a falta de recursos para a manutenção de um padrão alimentar mais consistente e tradicional como o brasileiro estava acostumado”, finalizou.

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