Consumidores estão mais moderados na Páscoa, diz pesquisa

Raquel Morais –

Estagnação da renda e desemprego. Esses são os dois motivos principais que os consumidores, quantificados em 39%, apontaram para justificar uma retração no consumo de chocolates para a Páscoa desse ano. Os dois motivos representaram 42% e 21%, respectivamente, segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

O mesmo estudo apontou que 56% dos consumidores estão achando os preços dos produtos da época, mais caros do que em 2016, e 89% vão fazer a famosa pesquisa de preço antes da compra. Mas, mesmo assim, 57% optaram por presentear alguém, 28% estão em dúvida e 15% não vão comprar nada. “A piora da economia ainda exerce um forte impacto sobre o consumidor, que acaba sendo obrigado a limitar seus gastos para organizar as finanças. Diante dessas dificuldades, até mesmo datas comemorativas de grande apelo, como a Páscoa, acabam sofrendo com a priorização de gastos do brasileiro. Cabe ao empresário do varejo investir em promoções, preços atrativos e em estratégias de vendas para atrair os consumidores que estão indecisos, que representam um grande percentual”, afirmou o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.

A vendedora de uma franquia de chocolates, Aline Alves, de 26 anos, confirmou esse perfil mais cauteloso nas compras. “O movimento está bom e estamos vendendo muito chocolate, mas ainda está fraco para o período. Acredito que os clientes estão esperando a virada do cartão de crédito e o pagamento de abril. Semana que vem o movimento deve aumentar”, comentou.

Entre os produtos mais procurados está o ovo de chocolate. O custo varia de R$ 15,90 a R$ 269,90. A pesquisa apontou o ovo como o produto preferido dos consumidores, com 65% de representatividade, seguido da caixa de bombom, ovo de chocolate infantil, barra de chocolate e artesanais e caseiros com 53%, 46%, 37% e 23%, respectivamente.

O niteroiense Diogo Seixas trabalha com ovos de colher artesanais, na sua fábrica de brownies, em São Francisco. As versões de diferentes sabores, como brigadeiro e nutella, são os preferidos da clientela. “Percebo até um aumento das encomendas do ano passado para esse ano. Acho que as pessoas estão preferindo gastar com um produto de melhor qualidade do que os feito em série. O valor custo-benefício é o que manda nessa escolha”, comentou.

A dona de casa Fátima da Costa, de 56 anos, disse já ter encomendado dois ovos de páscoa artesanais para suas netas. “Por mais que seja um pouquinho mais caro do que os produtos comerciais, se eu estou pagando R$ 20 por 200 gramas de chocolate, tenho certeza que terei essa quantidade”, exemplificou.

LEVANTAMENTO SOBRE DÍVIDAS
O SPC Brasil e a CNDL divulgaram também alguns indicadores sobre economia. Apenas 15% dos consumidores apontaram ter sobrado dinheiro no final do mês de março, contra 32% que terminaram o mês devendo alguma conta. Já 46% afirmaram ficar entre as duas situações, nem devendo e nem sobrando dinheiro. “Tal situação pode ter sido agravada pela crise, mas sofre influência também da falta de planejamento do orçamento pessoal. Organizar as finanças de forma que seja possível a formação de uma reserva para lidar com os imprevistos e emergências é essencial para que haja tranquilidade, e pode evitar o endividamento em momentos de maior dificuldade financeira”, afirmou Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

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