Conselho de Segurança quer criar programa de policiamento nas escolas de Niterói

Raquel Morais –

O assassinato de dez pessoas, entre alunos e funcionários de uma escola estadual em Suzano (SP), na tarde da última quarta-feira, trouxe à tona a questão da segurança dentro dos colégios. Em Niterói, na manhã de ontem, o presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Niterói, Moacyr Chagas, disse que irá criar um programa de policiamento para as escolas da cidade. Além dessa questão, foram divulgados os números atualizados sobre as operações do 12º BPM, sob comando do coronel Sylvio Guerra.

Moacyr explicou que a tragédia escolar deve servir de exemplo para aumentar a discussão sobre a segurança dentro dessas instituições. “Não existe uma legislação que obrigue um agente de segurança a trabalhar dentro de colégios. Mas podemos criar um projeto de policiamento para essa área. Essa é uma demanda antiga nas reuniões do conselho e temos que montar isso dentro dos três eixos que trabalhamos: prevenção, diagnóstico e atendimento”, contou.

Desde 2002 que a presença de um policial militar dentro das escolas não é mais obrigatória. Na época, o Governo do Estado explicou que a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) tinha assinado convênio com a Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) e o Governo do Rio de Janeiro, por meio do Programa Estadual de Integração da Segurança (Proeis), para que os militares trabalhassem em suas horas de folga.
A reunião começou com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas de São Paulo e também para os policiais militares que morreram em serviço. Estiveram presentes no encontro representantes da 76ª DP (Centro) e da 79ª DP (Jurujuba).

O secretário-executivo do Gabinete de Gestão Integrada Municipal de Segurança, coronel Paulo Henrique Moraes, explicou a questão social que está vinculada ao aumento do índice de violência dentro das escolas. “A violência nasce dentro de casa e se desenvolve na rua. Essa é uma questão de política pública e estamos agindo no final da linha e temos que começar a agir na origem do problema senão não vamos conseguir minimizar esses casos. Todos os professores já presenciaram episódios de violência dentro de sala de aula e temos relatos de crianças de três anos desrespeitando os professores. Temos que tratar essa questão social”, opinou.

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação de Niterói (Sepe Niterói) se colocou contrário a essa medida. “Compreendemos que a presença de um policial na escola pode intimidar as pessoas dentro do colégio por ser um agente de repressão dentro da escola. Nos colégios municipais existe uma ronda escolar feita pela Guarda Municipal, mas nos colégios estaduais não existe isso. A violência dentro da escola é uma discussão complexa e de muitas análises sociais. O problema é muito maior do que se imagina e muito mais difícil de se resolver do que com o policiamento”, frisou Thiago Coqueiro, um dos diretores do sindicato.

A Prefeitura de Niterói e a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) foram procuradas para comentar a questão da policialização nas escolas na cidade, mas até o fechamento dessa edição não se manifestou.

NÚMEROS DO 12º BPM
Na reunião, o comandante do batalhão de Niterói frisou a importância de operações conjuntas entre as polícias Militar e Civil na redução de delitos. Durante seu comando, de 15 de janeiro a 13 de março de 2019, foram apreendidos 21.422 quilos de maconha, 11.487 quilos de cocaína e 1.296 quilos de crack. No mesmo período foram 209 presos e apreendidos; e 40 pistolas e 10 simulacros, 14 revólveres e oito fuzis, um simulacro e quatro outros tipos de armas apreendidos. Na reunião, o comandante declarou que o 12º BPM é o segundo batalhão com mais apreensões de fuzis em todo o Estado, neste período. Rocha esclareceu que 41º BPM (Irajá) está liderando as apreensões, com 11 armas. O relatório é baseado apenas nos números do 12º BPM e não inclui o programa Niterói Presente.
“Consideramos a soma desse armamento incluindo os verdadeiros os simulacros, pois na hora de um crime a pessoa não sabe a diferença entre essas armas tamanha perfeição das réplicas. Então são 77 armas que deixaram de ser usadas em Niterói”, frisou.

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