Confronto no Morro Boa Vista acaba com a paz dos moradores

“Estava dormindo e acordei por volta das 2 horas da manhã com intenso tiroteio. Parecia ser de tiros de fuzil e acho que não havia policiais na região. Por volta das 4 horas da manhã, outro tiroteio acabou com a paz”. “Não sei exatamente o que aconteceu, só levantei assustado com o barulho de muitos tiros de fuzil. Dava a impressão que era dentro de casa. Pelo menos duas vezes ocorreu isso durante a madrugada. Não tem coisa pior para quem precisa acordar cedo para trabalhar. A gente não sabe o que está acontecendo. Só existe comentário que seria uma briga entre eles (os traficantes)”. Esses foram dois dos relatos da comunidade do Boa Vista.

Depois de todo um domingo de paz, na celebração da Páscoa, os moradores do bairro São Lourenço e Ponto Cem Réis, na Zona Norte de Niterói, enfrentaram o pesadelo, na madrugada desta segunda-feira (02), devido a dois intensos confrontos na comunidade do Boa Vista. Na manhã de ontem, os comentários sobre o fato foram os mais variados. Em um deles, havia a versão de que traficantes ligados ao grupo liderado por Wagner Oliveira de Carvalho, conhecido como Hulk (atualmente preso) entrou em confronto com outros criminosos, esses liderados por outro criminoso, “ex-aliado” de Hulk. Vale lembrar que além do tráfico, Hulk está preso acusado no envolvimento numa chacina, ocorrida no Morro do Holofote, no Ponto Cem Réis, em abril de 2010. O motivo da invasão ao Boa Vista teria sido a mudança de facção no controle da venda de drogas, de ADA para TCP.

“Recebemos os mesmos informes, sobre um confronto entre criminosos de mesma facção e versões idênticas. Intensificamos o patrulhamento no entorno da comunidade e estamos apurando o que realmente aconteceu”, explicou na manhã de ontem o subcomandante do 12º BPM (Niterói), tenente-coronel Fábio Marçal. “Há algum tempo, criminosos da ADA estão passando para o TCP . Essa separação pode ser notada desde a invasão ao Complexo da Rocinha e o Boa Vista, em Niterói, também tinha um passado de invasão”, explicou um agente da Polícia Civil.

Equipe de investigação da 78ª DP esclarece as versões
A equipe de investigação da 78ª DP (Fonseca) esclareceu, através de trabalho de levantamento, os fatos, acrescentando que por conta do tiroteio e da rivalidade dos criminosos de facções diferentes, várias outras ocorrências (no caso roubo de carros) foram registradas em pontos diferentes da cidade. Pelo menos em uma delas, vítimas foram mantidas como reféns. Também por conta do confronto (que a PM não chegou a ter tempo para intervir) pelo menos uma pessoa teria sido baleada e internada. Até a tarde de ontem, a Polícia Civil e PM apurava o incidente. Primeiras informações deram conta de que o baleado teria sido um menor, atingido por dois tiros e internado em estado grave no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca. A 78ª DP adiantou que ele teria anotação criminal anterior, por roubo.

De acordo com os investigadores, no domingo, um baile funk promovido pelo Terceiro Comando Puro (TCP) foi realizado no Boa Vista e criminosos, fortemente armados, ligados à mesma facção, deslocaram-se para a comunidade de Niterói. O evento marcou também a confirmação de que a venda de drogas na comunidade passaria para mesma facção. A mudança, segundo investigação da 78ª DP, teria sido autorizada por Wagner Oliveira de Carvalho (Hulk) entre outros criminosos de confiança. A mudança não foi aceita por rivais da facção ADA, que anteriormente era ligada ao tráfico local.

Por isso, na madrugada de segunda (02), um grupo formado por cerca de 20 traficantes da ADA, oriundos das comunidades do Sabão (São Lourenço) e Pé Pequeno (Santa Rosa), tentou invadir o Boa Vista, através de uma área de mata por trás da localidade. Por isso houve intenso tiroteio, no qual pelo menos uma pessoa (até o fim da manhã de ontem não identificada) foi baleada e internada. Investigadores relataram ainda que no retorno para o Rio, bandidos armados de fuzil se espalharam e foram responsáveis por pelo menos três roubos de veículos, nos bairros da Engenhoca, na Rua João Brasil e na pista sentido Rio da Ponte Rio-Niterói (altura da Ilha do Mocanguê). Esse último ataque foi ainda mais ousado, com os bandidos passando de um veículo roubado para outro, sendo uma vítima mantida como refém e libertada na Avenida Brasil.

Informes da PRF acrescentaram que nesse último roubo, o veículo era um Ecosport e, conforme relato do condutor, ele foi rendido por dois elementos armados que o fizeram de refém na condução do veículo e o libertaram na altura de Benfica. Os bandidos disseram que levariam o carro para a comunidade Nova Holanda e que apenas desejavam sair da Ponte Rio-Niterói. Na abordagem ao carro, houve disparos de armas de fogo pelos assaltantes, mas ninguém ficou ferido. Outras duas passageiras do carro foram liberadas no mesmo local.

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