Luto forçado na Zona Sul de Niterói

Augusto Aguiar –

Traficantes do conjunto de comunidades que formam o chamado Complexo de Santa Rosa espalharam o pânico desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira (11) nas principais vias do bairro, sobretudo ao longo da Rua Dr. Mário Viana e no entorno, ao ordenarem o fechamento total dos estabelecimentos comerciais situados na área. A ordem de “luto forçado” teria sido por conta da morte, supostamente por overdose, do filho do traficante Arnaldo Gonçalves do Santos, conhecido por Naldo, apontado como antigo líder do tráfico na região e ligado à facção Comando Vermelho (CV). Ele está preso desde o ano passado. Dezenas de lojistas foram impedidos de abrirem seus estabelecimentos por ordem do tráfico, assim como escolas municipais, estaduais e particulares, que enviaram seus alunos de volta para casa. A identificação do filho de Arnaldo não foi divulgada pela polícia.

Nas ruas, o medo dos pedestres, moradores e motoristas levou muita gente a pensar duas vezes antes de deixar suas casas ou trafegar pelo local. O pânico das pessoas e no trânsito da região mobilizou dezenas de policiais militares. Do alto de comunidades como Souza Soares e da Viradouro, traficantes efetuaram disparos na direção das viaturas policiais que se posicionavam ao longo da Mário Viana. O clima ficou mais tenso nas imediações de comunidades como Beco do 600, Vital Brazil, Zulú, Beltrão, além da Viradouro. A ação só aumentou a sensação de insegurança, principalmente o risco de “balas perdidas”. Muitos policiais ajudaram a orientar o trânsito no local, alertando aos motoristas de carros particulares e ônibus, que seguiam em direção ao Largo da Batalha, a retornarem e não prosseguirem pelo mesmo trajeto, pois teriam que passar pelas imediações da comunidade da Viradouro, na localidade conhecida como Garganta, onde bandidos efetuavam vários disparos em direção a via principal.

Em meio ao clima tenso, diretores de várias escolas suspenderam as aulas e centenas de alunos retornaram para casa ou não se deslocaram para os estabelecimentos de ensino. As aulas foram suspensas nas seguintes unidades de ensino: Colégio Municipal de Educação Infantil Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes, Colégio Estadual Guilherme Briggs, Escola Municipal Senador Vascondelos Torres (Umei), E.M. Padre Leonel Franca. As duas primeiras situadas na Rua Mário Viana e as demais na Rua Santos Moreira, nas imediações da comunidade Souza Soares (no entorno). A direção de outras escolas particulares também decidiram não funcionar ontem, devido ao risco, o que prejudicou cetenas de alunos de várias idades. Muitos pais foram chamados ou se deslocaram para as escolas para buscar os estudantes e levá-los de volta para casa.

Filho de Naldo é sobrinho do “Senhor das Armas”
Em julho do ano passado, Arnaldo Gonçalves dos Santos, o Naldo, apontado como antigo líder dos pontos de venda de drogas em boa parte da Zona Sul de Niterói e considerado um dos principais traficantes de armas do Comando Vermelho (CV), foi preso por agentes da Polícia Federal (PF), na Rodovia Niterói-Manilha (BR-101), na altura de Itaboraí. Ele seguia para uma residência de temporada no interior do estado. No veículo em que Naldo estava, os agentes encontraram drogas e uma carteira de identidade falsa. Contra ele havia cinco Mandados de Prisão por tráfico e associação ao tráfico. Na ocasião, o portal Procurados oferecia recompensa de R$ 2 mil por informações que levassem a sua prisão. Arnaldo era apontado por chefiar o tráfico nas comunidades Souza Soares, Beltrão, Vital Brazil, Zulu e Beco da 600, em Santa Rosa, além de Morro do Cavalão, em Icaraí.

Naldo é irmão do traficante Antônio Jorge Gonçalves dos Santos, o Tony ou Senhor das Armas, que também havia sido preso por agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), em julho de 2009, quando passeava em um shopping em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Na linha de sucessão, segundo fontes policiais, além de chefiar o tráfico Naldo havia assumido o lugar do senhor das armas na negociação de fuzis, armas curtas e drogas para o CV, mantendo contatos com os grandes cartéis na fronteira do Brasil.

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