Condomínios caros fazem valor do aluguel cair

Pedro Conforte –

Enquanto o valor do aluguel variou nos últimos doze meses, pouco mais de 1,50%, o condomínio teve aumento de mais de 6,4%, segundo o Índice Nacional de Preços do Consumidor Amplo (IPCA). Isto na prática tem derrubado os alugueis em quase 30%, uma vez que locatários não querem ficar com imóveis vazios e arcando com as altas taxas. Há, por exemplo, imóvel na Zona Sul de Niterói que baixou a locação para R$ 400, uma vez que o condomínio custa R$ 1.400.

O crescimento do valor do condomínio é maior na Região Metropolitana do Rio do que a média nacional. Enquanto o Estado variou nestes últimos doze meses em 6,47%, no país esta taxa foi de 4,53%. Apesar desse aumento, levando em conta apenas a variação mensal (abril) foi o inverso, o aluguel cresceu 0,23% enquanto o valor do condomínio caiu 1,18%, mas isto ainda não foi sentido no bolso da população.

De acordo com Jorge Almir, proprietário de uma imobiliária com mais de 700 imóveis, o crescimento do valor do condomínio tem sido sentido nos últimos seis meses. Para ele, os grandes vilões do aumento da taxa condominial são as contas de luz e água, que têm contabilizado aumentos desde o ano passado.

“As pessoas não têm tido aumentos em seus salários na mesma proporção. A luz e a água têm encarecido o valor do condomínio e os proprietários que não diminuem o valor do aluguel ficam com imóveis encalhados. Em Niterói, nos últimos meses houve uma queda de 30% no valor dos alugueis. Hoje em dia, existe uma média de oito imóveis para cada dois inquilinos”, explicou o proprietário da Jorge Almir Imóveis.

Em uma pesquisa rápida, um imóvel na praia de Icaraí, Zona Sul de Niterói, está sendo alugado por R$ 2 mil, enquanto o condomínio custa R$ 2500. Há três anos este mesmo imóvel era alugado por R$ 3 mil, por exemplo. Mas o alto valor do condomínio não é uma realidade apenas da Zona Sul. Em Pendotiba, por exemplo, um imóvel com dois quartos está sendo alugado por R$ 1 mil e tem quase o mesmo valor de condomínio, R$ 867.

Morador inadimplente não pode sofrer restrições
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu esta semana que morador inadimplente não pode ser impedido de frequentar as áreas comuns do prédio. A questão foi decidida pela Quarta Turma da Corte. O colegiado julgou o caso de uma moradora que não paga as taxas condominiais desde 1998, acumulando uma dívida de mais de R$ 290 mil. No recurso apresentado, a defesa afirmou que moradora estava impedida de usar as áreas de lazer, como a piscina, a brinquedoteca e o salão de festas em razão da inadimplência.

Ao analisar o caso, por unanimidade, a turma seguiu voto proferido pelo relator, ministro Luis Felipe Salomão, e entendeu que o condomínio não pode impor sanções que não estão previstas em lei para constranger o morador que está inadimplente.

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