Condomínio: cresce número de ações por falta de pagamento

Raquel Morais –

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) apontou um aumento de 3,59% no número de ações protocoladas por inadimplências em condomínios no estado. A análise foi feita no primeiro semestre desse ano em comparação com o mesmo período de 2017, quando saltou de 6.921 para 7.170 registros. O custo de vida, crise econômica e aumento nos valores de contas estão relacionados com esse alto número de devedores. Um levantamento feito pelo Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio) apontou também que uma cota condominial chega aos 26% ‘do gasto mínimo com moradia, que inclui aluguel, condomínio, água, luz, gás e TV a cabo’, conforme a nota.

Segundo o Secovi Rio o que vem puxando para cima o condomínio são os reajustes de despesas com funcionários que têm peso de 30% a 50% na conta total do condomínio. Já o corretor Jorge Almir, que tem uma imobiliária com seu nome em Icaraí, aposta que os serviços oferecidos em condomínios, principalmente os mais novos, estão agregando valor na taxa o que está propiciando o atraso nos pagamentos.

“Alguns condomínios estão em alta de devedores pois eles estão com mais burocracia por conta da quantidade de serviços oferecidos. Academias que precisam de profissionais da saúde, piscinas que precisam de salva vidas e uma série de outras exigências”, comentou.

Jorge ainda frisou que antigamente o valor do condomínio correspondia de 20 a 30% do valor do aluguel, por exemplo. Hoje em dia essa estimativa chega aos 70%. O Secovi Rio pontuou que se os valores estão ladeira acima, os índices de atraso estão em torno de 10% em 2018 (Em 2015 esse percentual variava entre 5% e 6%). Apesar das ações judiciais terem alta em 2018, administradores de condomínios de Niterói confirmam que em 70% dos casos de dívidas na cidade são acertadas através de acordos amigáveis.

“O morador que está devendo pode fazer acordo amigavelmente e ser notificado pela cobrança através de telefone, carta e e-mail, sendo a última opção a ação judicial. O novo Código de Defesa Civil mostra que com três dias vencidos o síndico já pode executar a dívida, mas geralmente isso só acontece a partir do terceiro mês de atraso”, comentou Bruno Souza, gerente de condomínio da Lumarj Administração e Locação de Imóveis.

Alguns condomínios também optam por evitar os processos judiciais vendendo a dívida para empresas, que ficam responsáveis pela cobrança.

“Quando um condômino não cumpre com a taxa condominial, todos os outros moradores podem ser afetados e prejudicados. Por isso, é importante contar com soluções como esta no mercado. Queremos diminuir esses números que foram apresentados e trazer mais qualidade financeira para todos”, completou Hadan Palasthy, especialista em compra de inadimplência em condomínios da empresa Creditcon.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *