Comte é ouvido como testemunha de defesa de deputados presos na Lava Jato

Wellington Serrano –

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) ouviu ontem os deputados Paulo Ramos (PDT), Zaqueu Teixeira (PT) e Comte Bittencourt (PPS) como testemunhas de defesa do trio de parlamentares do MDB preso na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato no Rio que levou para prisão os deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi.

Paulo Ramos foi o primeiro parlamentar a ser ouvido. O pedetista disse que sempre foi presidente de Comissões na Alerj, mas que nunca teve pedido pessoal em favor de terceiros dos deputados presos. “Nunca faltei com respeito para que desse entrada para que algum deles me fizesse qualquer pedido assim, eles me conhecem”, disse Ramos.

Questionado pela defesa do presidente afastado se Picciani teve uma presidência democrática, ele rebateu dizendo que “o parlamento sempre teve um grau de equilíbrio”. “Nunca tivemos rigor regimental, mas o presidente Picciani sempre consignou espaços do ponto de vista das discussões com a oposição e o trabalho das comissões”, afirmou Ramos ao afirmar ter votado em Picciani para ser o presidente da Casa.

O deputado Zaqueu, segundo a falar, defendeu a liberdade de posição de suas emendas durante reunião com os líderes e disse que nunca teve pedido impróprio do presidente Picciani. “As minhas conversas com o Picciani sempre foram assuntos de relevância republicana, matérias consideradas importantes que representam a sociedade”, disse o petista.

Já o deputado Comte Bittencourt, que confirmou que votou em todas as eleições para que Picciani fosse eleito como presidente, disse que participava das reuniões entre líderes com os deputados presos, mas que nunca ficou a sós com eles. “Sempre tinha presença de jornalistas da assessoria de imprensa”, disse.

Questionado pela defesa do deputado Paulo Mello se o mandato do PPS tinha relação na época em que Mello era o presidente, Comte negou e disse que como líder de governo tinha posição junto com seus pares. “Divergimos em boa parte dela, mas Paulo sempre respeitou o regimento interno”, comentou.
Comte Bittencourt disse que, em relação ao seu mandato, os presos nunca tiveram nenhuma falta de conduta profissional. “Minha relação com eles sempre se limitou ao parlamento”, disse.

Ao ser confrontado sobre registros em atas em que defendeu a importância da liderança de Picciani à frente do parlamento, Comte disse que fez só um pedido republicano para representação do regimento presidencialista. “Estava em posição de defesa da falta de organização do parlamento estadual o que é comum em todo país”, disse.

Ao responder perguntas para esclarecimentos dos fatos Comte negou qualquer envolvimento com Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar da Costa Pereira, Ana Cláudia Santos Andrade e Andréa Nascimento, pessoas envolvidas nas investigações. “Se passar ao meu lado eu não vou lembrar. Não tinha relação pessoal nenhuma”, frisou Comte ao dizer também que nunca teve relações pessoais com nenhuma empresa de ônibus e os empresários Marcelo Traça Gonçalves, Alvaro Galies Novis, Edmar Moreira Dantas, Benedito Barbosa Júnior da Odebrecht e Leandro Andrade.

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