Compartilhamento de dados ainda é obstáculo para câmeras do Cisp

Augusto Aguiar

Desde que foram instaladas há três meses na Ponte Rio-Niterói, as 12 câmeras do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) poderiam estar sendo utilizadas para uma de suas mais importantes funções, que é a de monitorar a passagem de veículos envolvidos em ocorrências de roubos e outros tipos de delitos na entrada da cidade. Essa função de monitoramento depende do compartilhamento com a Polícia Civil do cadastro de veículos roubados, que seria remetido para a central do Cisp em tempo real.

Esse e outros questionamentos serão debatidos na próxima reunião do Conselho Comunitário de Segurança de Niterói, no auditório da Câmara dos Dirigentes Lojistas. “A Ponte Rio-Niterói é uma via de acesso para toda a Região Metropolitana e outras cidades do interior. Acho um absurdo essas câmeras não estarem funcionando até hoje. Era para ter um compartilhamento com os dados da Polícia Civil. Temos um equipamento importantíssimo instalado e que não funciona. Poderia inibir a incidência de roubos de veículos e até a migração de criminosos para cidade de Niterói e toda a região. A cidade está com índices altos de violência, a administração municipal já fez o papel do Estado e do governo federal, e agora esbarra na burocracia”, enumerou ontem o presidente do CCSN, Leandro Santiago.

Por ocasião da instalação das câmeras, em agosto desse ano, o principal objetivo era criar uma espécie de “proteção extra” contra a violência, que começaria ainda no trajeto em direção a Niterói, com o portal de segurança, na travessia de veículos rumo à cidade. Foram instaladas oito câmeras apontadas nas pista sentido Niterói e outras quatro direcionadas para o Rio. A detecção de irregularidades, com base no cadastro compartilhado da Polícia Civil (o que não está ocorrendo como previsto), geraria o acionamento de policiais civis, militares e até federais para a imediata localização e interceptação de infratores, uma importante ferramenta na luta diária para conter os índices cada vez mais alarmantes de violência. “Até um treinamento para funcionários poderem operar na via para instalação das câmeras foi realizado. Para quê?”, indagou o presidente da CCSN.

Sobre o assunto, a assessoria de comunicação da Polícia Civil explicou que “em razão do cenário atual de crise e de contingenciamento financeiro, ainda não foi possível concluir a implementação do novo sistema. A Polícia Civil tem envidado esforços junto ao Governo para a liberação dos recursos necessários para a manutenção da Instituição, incluindo o funcionamento do órgão de tecnologia da informação”. A Prefeitura de Niterói informou que “as câmeras já operam na Ponte Rio-Niterói, mas que ainda está em entendimentos com a Polícia Civil para obter o banco de dados para poder identificar os carros roubados”.

Novas cabines da PRF
Também na tarde de ontem, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) esclareceu que não há previsão para começar a operar na nova cabine que está sendo instalada ao lado da Praça do Pedágio, na pista sentido Rio da Ponte. De acordo com o Núcleo de Comunicação Social da PRF, está sendo concluída a instalação de um Ponto de Apoio em frente à DPRF, na parte central da pista, logo após o pedágio, no sentido Niterói, o qual será utilizado em situações específicas.

Ainda segundo a PRF “faltam concluir alguns itens, como fornecimento de água, por exemplo”. Com relação a outro Ponto de Apoio, que era situado na outra extremidade da Ponte Rio-Niterói, próximo à saída para o bairro do Caju, no Rio, a PRF informou que o mesmo “encontra-se desativado há mais de cinco anos” e que o o trabalho de repressão e vigilância continua sendo realizado com “blitz na Praça do Pedágio, em ambos os sentidos, as quais resultam em diversas prisões”.

Outra cabine também está sendo construída na Rodovia Niterói-Manilha (BR-101) e substituirá a atual, localizada na altura do bairro de Itaúna, em São Gonçalo. A nova terá instalações mais modernas e será mais segura.

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