Comércio de material de construção tem queda de 15% em abril

Geovanne Mendes –

O comércio varejista de material de construção vendeu em todo o país 15% menos em abril se comparado a março. Mas, no acumulado desde janeiro, o setor ampliou os negócios em 3%. Nos últimos 12 meses houve queda de 8%. Os dados são de pesquisa mensal da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), que apurou o desempenho de 530 lojistas nos últimos cinco dias de abril.

Comparado com abril de 2016, o resultado é de estabilidade, segundo a entidade. Em nota, o presidente da Anamaco, Cláudio Conz, atribuiu o recuo sobre março à concentração de feriados em abril. Ele acrescentou que, tradicionalmente, esse período é de vendas mais modestas.

Em Niterói uma loja de materiais de construção no bairro de São Domingos há 20 anos sente esse tremor da economia. A loja tem cerca de 10 mil itens à venda, desde areia à materiais hidráulicos como canos e torneiras. De acordo com a gerente do local, Lilian Balanoquier, de 32 anos, a queda nas vendas no mesmo período da pesquisa nacional seguiu a tendência na cidade, com cerca de 16,5%. O mês de abril, segundo ela, reflete um panorama que deverá se repetir nos próximos meses, devido à desconfiança no mercado e na economia nacional.

“O nosso país está em crise, já tivemos 10 funcionários, hoje temos apenas quatro. Para evitar calotes e prejudicar ainda mais as nossas vendas, decidimos parar de trabalhar com cheque, hoje em dia cadastramos alguns poucos clientes, como condomínios, para realizar a venda a prazo no cheque”, comentou a gerente.

Cartão Reforma
A Anamaco manteve a previsão de crescimento de 3% do setor este ano. Destacou as projeções otimistas de crescimento a partir da melhora no acesso ao crédito nos bancos para reforma ou construção e também os incentivos criados pelo governo como, por exemplo, o do Cartão Reforma, em vigor desde a última sexta-feira (28).

O cartão é voltado para famílias de baixa renda que recebem até três salários-mínimos (R$ 2,8 mil) com limite de crédito de até R$ 5 mil. A previsão do governo federal é que cerca de 100 mil pessoas sejam beneficiadas na primeira fase do programa, que terá orçamento de R$ 1 bilhão.

“Isso deve ter um impacto muito positivo no nosso setor”, disse o presidente da Anamaco. Segundo levantamento da entidade, 65% dos lojistas acreditam que, agora em maio, possam recuperar parte das vendas.

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